Lidando com muita gente todos os dias, comecei a perceber que muitas pessoas não sabem falar de si. Isso não é uma crítica ao modo das pessoas se expressarem ou mesmo ao medo de se mostrarem; é antes de tudo um reconhecimento quanto à maior falha dos seres humanos: a de apontar o outro e sair de cena.

A maioria das pessoas acha mais fácil falar dos outros do que de si. É como se não achassem palavras para descrever a sua superioridade ou rebaixamento, mas conseguem até soletrar qualquer termo para se encaixar bem no amigo, conhecido, inimigo ou o Fulano de Tal. Como as fofoqueiras de plantão que veem a vida de toda a população, mas o próprio telhado é tampado e pedra nenhuma consegue alcançar... (Tudo bem! Nem sempre é assim. Sei que estou sendo a vizinha fofoqueira).

Há um ano, após uma perda ENORME, passei a me analisar e “tentar” o aprimoramento. Descobri que sou um ser humano chato, mas autêntico. Que quando me acho bonita, o mundo me acha bonita e quando me sinto feia, tudo parece pior do que é. Aprendi a me conhecer e me reconhecer em minhas atitudes, muitas vezes mesquinhas. Perdi-me muitas vezes nas longas horas em que passei comigo, descobrindo algo que sempre esteve aqui: minha personalidade difícil! Tive a coragem de listar meus defeitos e de reconhecer minhas qualidades.

Percebi que, por mais idade que tenha, sou nova, menina, medrosa, que crio sonhos e alimento ilusões tolíssimas, mas que tenho um potencial alto e uma mente boa, um coração quente e puro, um cérebro preguiçoso, atrapalhado, confuso, mas que reconhece que erra e sabe perdoar (ás vezes)...

Eu posso dizer quem sou sem me perder nas palavras. Talvez amanhã eu não seja a mesma: TOMARA! E para ser bem clichê: As águas também não são...Tudo muda, tudo passa, mas a consciência de meus limites e de minha hombridade há de permanecer.

Se alguém disser que conhece você, não ligue para o que ouvir, pois poderá inflar seu ego ou derretê-lo de vez. Procure antes se conhecer. Só nós nos conhecemos, só nós sabemos quem somos e mesmo assim não sabemos quem seremos. Todos temos defeitos e chance de mudá-los. Não tenhamos medo de aprender quem somos!

Fernanda Moreira
Professora de Língua portuguesa, psicopedagoga institucional e especialista em Literatura brasileira.
Instagram: @fernandamoreiraprof
E-mail: [email protected]