Procurar um tema ou inspiração para um texto tem sido desafiador, dá para arriscar a dizer que quase impossível. Talvez porque nada muito inspirador tem acontecido de fato no mundo. Aliás, realmente NADA inspirador tem acontecido. E no Brasil...

Os fatos do mês passado, deste mês e da semana são os mesmos há algum tempo: balas perdidas, mortes em excesso, prostituição infantil, desmatamento da Floresta Amazônica, saidinhas de bancos, politicagem...

Os fatos que, nos jornais, são secamente chamados de “corriqueiros”, significam o sequestro de todo sinônimo de humanidade, de toda bondade que ainda resta (?), de todos os bons sentimentos sutilmente guardados. E seria ótimo se os únicos sequestros fossem de nossos mais íntimos sentimentos. Poderíamos até virar múmias, mas não seríamos e nem faríamos tantas vítimas a cada dia.

A generalização dos verbos ser e fazer, ainda, refere-se à HUMANIDADE.

Humanidade?

Será que a indagação merece resposta? Eu prefiro encher a próxima linha de pontos:

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É assim que me sinto: no final do verbo esperar.

Ir às ruas protestar virou apenas uma chamada no jornal local e uma disputa de lados nas redes sociais. As autoridades mascaram as reais intenções de quem mostra a cara para implorar por educação, respeito, justiça.

Até quando o Brasil será conhecido por suas favelas, tráfico, bumbuns perfeitos e paraíso tropical da dívida externa e corrupção?

Até quando os governantes estarão preocupados em supostamente fraudar licitações? Até quando nossas crianças morrerão de formas injustas? Até quando as balas não serão apenas confeitos?

Dá medo de que quando o poder acordar, o país esteja terminado assim como este texto: sem uma bela exclamação, mas com um significativo ponto final.

Fernanda Moreira
Professora de Língua portuguesa, psicopedagoga institucional e especialista em Literatura brasileira.
Instagram: @fernandamoreiraprof
E-mail: [email protected]