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O calote do vizinho
Quem acompanha as notícias nos veículos de mídia da grande massa está ciente da gravidade da crise estabelecida entre o Brasil e o quase vizinho Equador. Digo quase porque seria, caso de um dia para o outro o Peru desaparecesse do mapa. É como se fossem vizinhos de duas casas acima. Isso não teria tanta importância se o Brasil não tivesse interesse em criar uma passagem justamente entre os dois terrenos acima, para cortar caminho e que caminho! Vou explicar: Existe um projeto em fase de negociação, que prevê a criação de um corredor inter-oceânico rodoviário que ligaria Manaus ao porto de Manta no Equador, o que seria uma saída comercial para o Pacífico, não só para o Brasil como para a Bolívia o Peru e a Venezuela. Ótimo isso, melhor dizendo, quase ótimo porque o risco do projeto não sair tornou-se grande devido ao calote, a meu ver, premeditado do Equador. Talvez a palavra “premeditado” seja um pouco forte. Vamos usar o termo “acomodado” para amenizar um pouco o texto, já que esta coluna se limita a expressar minha opinião! Vamos recapitular um pouco... Na semana passada o governo do Equador entrou com uma ação internacional para suspender o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída com o BNDES para a construção no país da usina hidrelétrica San Francisco, construída pela Odebrecht. A demanda foi apresentada na Câmara de Comércio Internacional em Paris. O Equador propõe a anulação do contrato de crédito firmado com o BNDES por supostas violações legais e constitucionais. Rafael Correa, presidente do Equador, alega que a usina apresenta falhas estruturais e pede uma indenização de US$ 43 milhões pelas perdas ocasionadas pelos três meses de paralisação, além da reparação total da obra. O que não podemos esquecer é que durante seu primeiro ano de funcionamento, a Central hidrelétrica trabalhou continuamente, sob a responsabilidade de empresa do governo equatoriano, e acima da capacidade projetada. A Odebrecht afirma ainda que entre as possíveis falhas apresentadas na hidrelétrica está o aumento significativo de sedimentos nas águas do rio Pastaza, que abastece a hidrelétrica, devido à erupção do vulcão Tungurahua, situado a 20 quilômetros da usina. Esse risco não é responsabilidade do projeto de engenharia e sim do governo equatoriano. Mesmo assim, O Consórcio, liderado pela Odebrecht, imediatamente assumiu os trabalhos dos reparos, mobilizando aproximadamente 300 pessoas, visando o retorno da operação da Central em 04/10/2008, prazo este que estava sendo cumprido até a intervenção do governo do Equador. Minhas perguntas são: Porque o governo do Equador resolveu intervir quando notou que os reparos estariam prontos dentro do prazo estabelecido? Ele ainda reclama que o tema é exclusivamente comercial e financeiro, não se tratando de uma situação de um Estado contra outro e quer que o Brasil reverta sua decisão de convocar para consultas seu embaixador em Quito, pois considera que o processo apresentado por seu governo contra o BNDES é um tema comercial. A verdade é que estou de pleno acordo com o Ministro Celso Amorim que defendeu nesta segunda-feira a revisão dos acordos comerciais entre os dois países: "Estamos revisando os acordos, olhando o estado de implementação de cada um deles. Há acordos que são de natureza social que deveriam continuar normalmente. Agora, acordos que envolvam novos financiamentos, créditos, projetos, mesmo que não sejam acordos, cooperação, não é medida de retaliação, mas de precaução, o Brasil terá que olhar com muito cuidado", afirmou.
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