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Periscópio
Por Antonio de Padua (Padinha)

Vergonha!

Vergonha!
É o que sentimos com a continuidade do molde antigo e desonesto da prática política em nosso País.
O que mais um cidadão honesto pode sentir ao contemplar dia após dia os novos escândalos que estampam os jornais, revistas e todos os tipos de mídia que conhecemos?
Vergonha ao notar que nossos governantes continuam destruindo nossa dignidade pessoal nos induzindo ao ridículo, expondo nossa vulnerabilidade perante a hierarquia de comando, atirando em nossas caras de espanto a mesma afirmação de sempre: “Somos apenas números que engrossam a massa de manobra do poder e da corrupção”.

Enquanto assistimos espantados aos vídeos em que o governador José Roberto Arruda e aliados aparecem enchendo sacolas, os bolsos e até as meias com maços de dinheiro, nosso Chefe Maior diz que as imagens não falam por si.

O que mais é preciso? Existe prova mais concreta que um vídeo comprovando o crime?
Arruda prometeu provas irrefutáveis de sua inocência. Como?

O mais decepcionante é lembrar que José Roberto Arruda, já havia se envolvido no passado com atividades escusas, quando foi um participante do escândalo da violação do sigilo do painel eletrônico do Senado e ao retornar ao cenário político, disse em rede nacional que o caso do painel eletrônico havia ficado para trás. O Governador afirmou que havia errado e que não faria algo do tipo novamente.
Com certeza cumpriu a palavra, não fez nada parecido, fez pior!

Vamos encarar a verdade: Ele não passa de um fantoche! O Governador na verdade é Paulo Octávio, que já governava Brasília indiretamente, Arruda é só o personagem carismático! Tomamos como exemplo o Setor Noroeste, pedaço de terra mais caro de Brasília e se bobear do Brasil. Alguém tem um palpite de quem é o dono da construtora “master” de Brasília? Ele mesmo!

Infelizmente não consigo mais acreditar em justiça em nosso País!
No Brasil de políticos corruptos e de altos impostos, o máximo que pode acontecer é o acusado entregar o cargo para outro igual a ele mesmo e continuar trabalhando em segundo plano.

Porque sinto vergonha?
Resposta simples e fácil: Somos brasileiros e colocamos os ratos no poder, mesmo sabendo que são ratos!
Sinto-me na obrigação de repetir abaixo um texto que já publiquei nesta mesma coluna há um ano e que vai explicar o porque do título lá no topo.

Sinto vergonha de mim!

Sinto vergonha de mim por ter sido educado, por ser parte desse povo, por ter batalhado sempre pela justiça, por compactuar com a honestidade, por primar pela verdade e por ver este povo chamado varonil enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim por ter feito parte de uma era que lutou pela democracia, pela liberdade de ser e ter que entregar a meus filhos, simples e abominavelmente, a derrota das virtudes pelos vícios, a ausência da sensatez no julgamento da verdade.

A negligência com a família, célula mater da sociedade, a demasiada preocupação com o “EU” feliz a qualquer custo, buscando a tal felicidade em caminhos enraizados no desrespeito para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim pela passividade em ouvir sem despejar meu verbo, atendo as desculpas ditadas pelo orgulho e vaidade para reconhecer um erro cometido, a tantos floreios para justificar atos criminosos, a tanta relutância em esquecer a antiga posição, de sempre contestar, voltar atrás e mudar o futuro.

É... Tenho vergonha de mim por fazer parte de um povo que não reconheço, enveredando caminhos que não quero percorrer.
Sinto vergonha de mim pela minha impotência, da minha falta de garra, das minhas desilusões e do meu cansaço. Não tenho pra onde ir, pois eu amo esse meu chão, vibro ao ouvir meu hino e jamais usei a minha bandeira para enxugar o meu suor ou enrolar meu corpo na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim tenho tanta pena de ti “Povo Brasileiro”, de tanto ver triunfar as imunidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar esses poderes nas mãos dos maus.
O homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto!

(Baseado nas falas de Cleide Canton e Rui Barbosa)

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