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Ficção, crítica, história e teatro na TV A desconstrução do discurso inovador em Páginas da Vida
Os autores contemporâneos criam personagens honestos contracenando com seus opostos, aqueles representantes das elites dominadoras ou outros que sem quaisquer escrúpulo tentam penetrar na intimidade das classes mais abastadas , pisando em ombros para atingir seus objetivos, sem quaisquer princípios e até matando se for necessário, num espelho da realidade social. Os personagens de Aguinaldo Silva sempre se caracterizaram por mexer com o imaginário do povo brasileiro. A princípio suas tramas revelavam um certo realismo fantástico a fim de conduzir os telespectadores a um contexto lúdico, esquecendo assim os problemas e as mazelas da vida cotidiana. Tal estilo, porém, não se sustentou sozinho e com o passar dos anos, Aguinaldo vem expondo em suas novelas, agregado ao divertimento , problemas sérios no intuito de conscientizar as pessoas. De junho de 2004 a março de 2005 foi ao ar Senhora do Destino, cuja transgressão foi característica dos plots da novela que introduz o homossexualismo discutido e tornado público, com maior profundidade, entre duas mulheres. Aguinaldo Silva fala ainda da gravidez na adolescência de uma forma realista. Menina negra e favelada entrega-se a um rapaz também adolescente, filho do prefeito do município de subúrbio carioca gerando um filho que é cuidado pela avó e tio.Os políticos são todos corruptos e malévolos, não há de esperar deles nenhuma fímbria de decência. Da união estável de homossexuais lésbicas, sai a adoção de um bebê (negro).Violência, tiros, assassinatos, preconceito racial, traição, maldades, mentiras. O autor não poupa a sociedade brasileira carioca,às vezes condenando os corruptos e violentos e outras, exaltando o sofrimento das classes mais pobres apontando suas lutas diárias pela sobrevivência e seus equívocos na vida. Como faz Glória Perez, suas telenovelas costumam incluir campanhas sociais, alcançando um status maior do que o entretenimento puro. Como sempre, levanta polêmicas em torno de assuntos até deixados de lado pelos autores como : agressões domésticas a idosos, prostituição entre universitárias da classe média, alcoolismo e , doenças terminais. Em julho de 2006 entra no ar mais uma novela repleta de realismo social mas, limitado ao Leblon, bairro da Zona Sul carioca onde personagens da classe média alta digladiam -se em verdadeiros “duelos verbais”. Talvez estejamos iniciando com essa novela de Manuel Carlos a radicalização da proposta dos diálogos diretos e nada impolutos que víamos na inovadora Beto Rockefeller, dos anos 60 com a introdução da acidez verborrágica cuja coerência está na lógica do personagem que comunica a impressão de mais absoluta realidade mesmo sendo uma criação de fantasia ficcional. Estaríamos então entrando numa nova fase da teledramaturgia onde o autor permite-se uma maior acidez na narrativa, enfrentando tabus novelísticos , escancarando conceitos e transgredindo posições que diríamos hoje, “ politicamente corretas”? Ao transmitir seu pensamento, sua posição diante de um fato. o autor , para tornar sua trama verossímil, passa à provocação causando constrangimentos na audiência ou então, paradoxalmente, o prazer da audiência que enxerga suas mazelas refletidas na tela . O que tenta esconder ou não admitir sequer em pensamentos por mais condenáveis que sejam, está ali, diante dos seus olhos no horário nobre. Em Páginas da Vida, Manoel Carlos surpreende ao abordar o aborto e a rejeição à crianças com Síndrome de Down de maneira até certo ponto cruel mas, antes de tudo, verdadeira, e engaja emocionalmente a audiência nos juízos morais desarticuladores de discursos conservadores. HELENA- Então, pensou? Pensou direitinho em tudo que nós conversamos? O
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