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Ficção, crítica, história e teatro na TV Televisão que gera fortuna Digo isso, depois de ler uma extensa matéria da revista Veja ( edição de 25 de abril de 2001) desvendando a origem da riqueza do apresentador do Domingo Legal . Pasmem ! Imaginem um homem que depois de ler cinco jornais , diariamente, não encontre neles nada culturalmente interessante e passe a ver, alucinadamente , 12 canais diferentes de TV , à procura de assuntos que possa transformar em quadros do seu programa. E o pior de tudo é que depois dessa maratona ele ainda tenha que recorrer à baixarias importadas de canais comerciais da Itália, Espanha, Holanda e França. A famigerada "banheira" é originalmente espanhola. Foi copiada de um programa que chama-se Si lo Sé No Vengo ( algo como Se Soubesse, Não Viria) . . Ele teve a coragem de comprar os direitos autorais do programa inteiro por 18 000 dólares, pagos do próprio bolso! Diz a reportagem que a "competição imbecilizante entre comunidades estrangeiras" que o "público gostava bastante" ( será ? ) foi inspirado no francês Sans Frontières ( Sem Fronteiras ) . Atualmente, dizem, ele está apostando na "criação" de fatos e informação em tempo real mesmo que tenha que subornar um revoltado da carceragem de Carumbé, em Cuiabá para mostrar à sua "enorme audiência", o fim da rebelião dos presidiários. Para contemplar ( nem todos ) certos tipos de gosto, ele não se acanha quando sai por aí travestido de ator fazendo gravações pelas ruas de São Paulo. . A trajetória toda desse homem que a revista confirma como um milionário ( tem um patrimônio estimado em 100 milhões de reais ) e que usou a televisão paras iniciar seu fabuloso capital, está calcada no seu intenso trabalho pela banalização de verdades, pela introdução de necessidades supérfluas , soluções falsas e "conformidades" patrocinadas pela indústria cultural. Como vocês podem ver, eu retomei aqui, o pensamento de Adorno, um dos mais radicais teóricos da Comunicação de Massa. Ele diria que "o consumidor não é o rei, , como a indústria cultural nos faz crer, nem o seu sujeito, mas sim o seu objeto". Dizem que Adorno está fora de moda , mas se ele vivesse para ver a televisão no Domingo Legal, não arredaria um pé de seus conceitos para provar que ainda são atuais. Repetiria com mais ênfase: " a indústria cultural alia-se ao capitalismo para moldar e perpetuar uma audiência regressiva, ( a gente pode traduzir por "infantilizada") um publico consumidor dependente, passivo e servil ! ". Mas nós não somos servis ! ! A televisão que Gugu faz, não é o resultado da cultura brasileira ali representada mas uma representação hipócrita da nossa realidade. O Brasil potencialmente artístico e criativo passa longe do programa desse apresentador milionário. Esse Brasil é que precisa ser mostrado já , nas telas da nossa TV e não se limitar a pequenas platéias como as do nosso teatro, dos cineclubes, centros culturais e universidades. O diretor e roteirista Walter Avancini, disse uma vez em entrevista: "Quando houver elementos de educação que aproximem a população de elementos artísticos mais sensíveis, a TV vai ser muito diferente.Enquanto isso não acontece, ela se limita a explorar a triste realidade que aí está... O empresário que viver da comercialização dos produtos só pensa nos lucros e no resultado imediato da audiência" .Mais adiante, ele alerta: "...particularmente acho que os homens de TV devem encarar essa situação com olhos mais responsáveis... procuro inserir ideologia no meu trabalho. Não me conformo em usar comercialmente o telespectador" ( entrevista publicada na Tribuna em 31 dez.2000) . Nem ele, muito menos nós, vamos nos conformar com as tiradas "gugusianas"!
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Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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