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Ficção, crítica, história e teatro na TV Televisão incorpora o folhetim
Segundo Marlyse Mayer, tudo começou na França, em 1830, com Émile de Girardin, o inventor do folhetim. Ele queria ampliar o consumo de jornais, junto às classes populares e usou de expedientes que poderiam baratear as publicações. Criou então, o “rodapé” do jornal, lugar onde seriam publicadas miscelâneas e variedades, o chamado fait-divers . Nesse espaço começou a introduzir romances em partes, fazendo ganchos, numa constante referência à edição anterior, surgindo o “continua na próxima edição”.Este seria o início do folhetim/romance e folhetim tout court .Nesse sentido, a fragmentação da narrativa , constituindo-se em um quebra-cabeça que será reconstruído, remontado pelo leitor , define o gênero folhetim e sua estrutura estética. A evolução do folhetim/romance para romance/folhetim é vista da seguinte maneira: no início, os romances eram fragmentados e adaptados para serem adaptados para o jornal.Depois disso se inverte o processo.Escrevem-se histórias diretamente para o formato folhetim , sendo que mais tarde essas mesmas histórias foram condensadas e transformadas em obras romanescas com o formato de origem. Alguns autores consagrados da época aderiram ao folhetim entre eles, Balzac, Eugéne Sue, Alexandre Dumas ,Dickens e Machado de Assis, no Brasil. Conseguiram transformar, porém, com suas narrativas folhetinescas e seu veículo em algo especial . Há uma estreita relação entre esse gênero e o momento histórico , pois a articulação de interesses entre autores-editores –leitores foi o grande motivo para seu êxito no período..Assim, comunicava-se os valores de maneira mais ampla , valores esses que só eram transmitidos por meio dos romances às esferas sociais específicas. Dessa maneira , a simples presença social do veículo faze dele também reflexo das mudanças sóciopolíticas e de suas particularidades.Esse vínculo político-social do folhetim ao seu tempo pode ser uma maneira de explicar seu nascimento, passando pelo romance popular,depois folhetim romântico,folhetim histórico e a seguir realista, inspirando-se em eventos do cotidiano . A grande novidade foi a relação que se estabeleceu com o,leitor . Isso se deu, não apenas ao que se refere aos conteúdos das narrativas : temas que trabalhavam com os sonhos, tendo como foco as afeições e motivos extraídos do cotidiano e dos costumes. O gênero folhetim se afirmou não só pelos enfoques realistas em que razão e inteligência tinham sempre primazia sobre o sentimento, mas também por aqueles derivados das narrativas históricas , trazendo informações aos leitores e ao mesmo tempo legitimando e consagrando os valore pessoais e sociais. Como se sabe, esse gênero se mantém até hoje em toda a América Latina por ter se transformado num traço cultural e por ter características híbridas , em que é possível ver personagens de todas as classes; populares , aristocratas, camponeses, lojistas e órfãos. Tudo isso num contexto consolador: opulências e misérias trocam de papel a toda hora. Nesse sentido o melodrama preenche com seu maniqueísmo os espaços que faltam nessa estrutura. A estética fragmentada coincide com a fragmentação da própria vida e isto justifica o surgimento do gênero historicamente aliado às condições do contexto e vinculado à popularidade reforçada nos conteúdos das narrativas, reincorporando por meio de detalhes o cotidiano falso, real apenas nas imagens. A televisão incorporou esse modelo em suas narrativas e, por mais que tente se desvincular dele por meio de novas roupagens , as evidênncias dessa origem mantêm-se intactas, é o que vemos na teledramaturgia. O site O Click não se
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