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Ficção, crítica, história e teatro na TV TV de Vanguarda, projeto arrojado da nossa TV O que vinha sendo experimentado desde os primeiros meses de programação ainda era insatisfatório, apesar de servir como ensaio, visando propostas mais arrojadas. Estava embrionário o projeto do mais representativo teleteatro paulista ,o TV de Vanguarda, criado em agosto de 1952 ,por Cassiano Gabus Mendes. Apontado como a própria definição da TV nos anos 50, o programa tornou-se um paradigma do gênero.12 Coube a Waltyer George Durst diretor e roteirista desse teleteatro, uma das mais arrojadas tentativas de se fixar uma linguagem televisual ao tentar reproduzir na tela, uma estética cinematográfica. Muitos dos textos apresentados ao público eram adaptações de filmes como relembra Durst no seu depoimento ao IDART : "Quando a gente fazia uma transposição tipo "Crime sem Paixão", de Ben Hecht ( roteirista hollywoodiano) ou alguma coisa como "Sinfonia Pastoral", de André Gide, enfim, os clássicos da literatura mundial, no fundo a gente estava copiando algum filme.Não deixava de ser um exercício fascinante e produtivo. N ão tínhamos outros modelos e só aos poucos fomos descobrindo o que se podia fazer mais especificamente, como se podia utilizar com personalidade própria, uma câmera de televisão .Durante anos fizemos todas as experiências possíveis e já no papel, no texto, eu procurava explorar as situações que me pareciam mais plásticas. Na verdade, sem muita consciência, estávamos criando as formas de televisão mais básicas". A utilização de metáforas e redes metafóricas detectáveis por intermédio da repetição, de formas de insistência ( primeiros planos,planos longos, ângulos insólitos,ou de ampliação ( deformações visuais, aumentos, efeitos sonoros etc) da imagm não-diegética, à figura diegetizada, isto é, plenamente integrada no mundo representado; tudo isso eram recursos de uma cartilha fílmica que foram assimilados pelos diretores de TV. Produzido pela TV Tupi, de 1952 a 1967, o TV de Vanguarda não se limitou à difusão cultural brilhantemente divulgada, nas noites de domingo. Sua grande contribuição foi ter se transformado nessa "escola" da qual já falamos , onde se aprendia como se contar uma história na televisão, submetendo artistas e técnicos a ela vinculados a um aprendizado constante. Propiciando espetáculos de qualidade diegética TV de Vanguarda apostava-se no lado artistico da televisão. Como se o veículo, à procura de sua própria afirmação, "se impregnasse, a cada encenação de Shakespeare, Lorca ou Jorge de Lima, de uma positividade alvissareira". 14 Ao contrário de muitos outros teleteatros, o TV de Vanguarda, abasteceu-se de um elenco formado, basicamente, por atores vindos do rádio. Lá estavam Lia de Aguiar, Dionízio de Azevedo, Lima Duarte, Vida Alves, Percy Aires, José Parisi, Márcia Real, Jaime Barcelos, Fernando Balleroni, Laura Cardoso e muitos outros. Guilherme de Almeida, na sua coluna "Ontem , Hoje , Amanhã", do Diário de São Paulo escreveu um artigo por ocasião da montagem de Calunga, no TV de Vanguarda: Pelo menos entre nós ( não conheço ainda os congêneres estrangeiros) muitos espetáculos televisionados têm reclamado o merecido e caloroso aplauso. Não tenho escrúpulo, acanhamento, vergonha, pudor ( ou que outro nome se queira dar a certa espécie de covardia) de confessar que algumas realizações de tele-drama ou tele-novela, a que tenho assistido, são, por enquanto , para mim, muito, muitíssimo superiores a tudo o que têm feito o teatroe o cinema nacionais.Citarei por exemplo, a peça oferecida, na noite de domingo último, pela "TV de Vanguarda", do Canal 3. Que comovedor esforço! E que consolador triunfo! Transposição para o vídeo do romance "Calunga"(1936) de Jorge de Lima, redundou esse admirável trabalho num espetáculo do mais rigoroso poder emotivo. Uma naturalidade ( como é difícil ser natural!) interpretativa, de jogo cênico, dialogação e dicção que o teatro ainda não conseguiu. Uma síntese dramática, uma "continuidade"e uma "iluminação" que o nosso cinema nunca alcançou . Uma técnica do som ( fundo musical, arte dos ruídos, transmissão vocal etc) de que o nosso rádio se pode plenamente orgulhar. A verdade termenda que encerra a violenta e substanciosa história nordestina contada pelo esplêndido Jorge de Lima, e os inspirados e heróicos responsáveis - todos eles - pela sua real realização ante os objetivos da TV, estão a afirmar e provar que já existe, no Brasil, uma arte de vanguarda. "Calunga"é seu porta-estandarte. Os seguidores de Walter Durst já estavam apreendendo todas essas possibilidades, hoje tão banais nas produções ficcionais de TV.Eles começaram a perceber que,ao contrário do teatro, onde o próprio espectador faz a triagem nos signos da representação, na televisão ( como no cinema) seriam eles, os condutores da crítica do sentido do espetáculo. Seriam capazes de anular as manifestações mais evidentes e cênicas da teatralidades buscando "efeitos cinema", ou afixar de maneira ostensiva essa teatralidade e ressaltá-la . Em 1962, Durst saiu da Tupi e o teleteatro passou a ser dirigido por Benjamin Cattan que introduziu uma maneira didática de apresentar as peças. Aparecia diante das câmeras e falava ao público sobre a obra, o autor e a época que se passava a trama, assim como as motivações políticas e históricas e mesmo econômicas enredadas no texto. Nessa fase do TV de Vanguarda, seu repertório apoiava-se quase que exclusivamente em textos teatrais, repetindo os clássicos de maior importância de autores como Sófocles, Ibsen, Garcia Lorca, Ionesco, Arthur Miller, Tennesse Williams e outros.
Arquivo
As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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