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Ficção, crítica, história e teatro na TV Recordando A TV dos anos 70
O teórico Muniz Sodré ao comentar o período, concorda que a modernização tecnológica das comunicações, conjugada com a reconcentração da renda e uma maior diversificação dos bens de luxo, favoreceu diretamente a expansão da TV no período. A opulência visual eletrônica inaugurada pela TV Globo, “contribuiu para apagar definitivamente do imaginário brasileiro a idéia de miséria, de atraso econômico e cultural”. A partir de 1969, a produção de programas concentra-se no Rio de Janeiro (uma linha carioca para todo o país) com ligações às redes regionais chamadas de “afiliadas”, ou seja, as repetidoras da programação da emissora “cabeça de rede”, no caso a que nos referimos, trata-se da Rede Globo de Televisão. O telespectador começa a consumir uma imagem glamourizada,
luxuosa, que contamina os setores da produção cultural
e artística que se propunham a atingir um grande público.
A emissora, segundo declarações do então diretor
de programação Walter Clark à revista Banas “vive
de um universo quantitativo; essa idéia e a de integração
nacional, acabaram com a imagem de programas específicos para
cada região... A Globo tratou de formular uma programação
que induz a esse Universo global”. No ensaio que escreveu sobre a televisão brasileira, o francês Dominique Wonton defende a idéia de que entre os anos 1964-1975, a TV enfrenta sua fase de “decolagem” no momento em que as classes C e D começam a ganhar acesso ao veículo, incorporando novas e diferenciadas faixas sociais ao mercado de consumo cultural. O governo militar, que dominou o período, oferece à população esse instrumento de modernização e de afirmação da identidade nacional, com a idéia de construir para a grandeza a força do Brasil . Todavia, esse mesmo militarismo esquecia-se das aspirações de liberdade que a televisão poderia estar suscitando. Para Wonton, os militares “serviam-se”da televisão, mas, como sempre, não dominavam a sua influência. A televisão resultou, “ao mesmo tempo, num instrumento de propaganda política, de influência mais ilimitada do que pensavam os militares e também num instrumento de modernização, de identidade nacional e de abertura cultural”. Vamos notar que os realizadores eram muitas vezes progressistas e, se por um lado, as informações estavam sendo rigorosamente controladas, por outro, o resto da programação não o era. O controle da infra-estrutura não coincidia com o controle do conteúdo programático, freqüentemente burlado por seus realizadores. Em 1976, no ciclo de debates do Teatro casa Grande, Paulo Pontes instigava o público: “... Existem mil truques dramatúrgicos para aproveitar esta necessidade, essa ânsia de coisa viva da televisão. (...) fazer a piada curta que consiga gozar custo de vida, política... relações entre o poder e o povo...”. A TV vai parecer ao artista, nessa época, como um
veículo democrático, que contorna as barreiras de classe
e de linguagem, transforma a qualidade em quantidade e abre um espaço
para os produtores de cultura que buscavam desesperadamente fugir do
ostracismo e que as propostas intelectualizadas de esquerda dos anos
60 os haviam condenado... Sabemos que desde sua instalação em São Paulo e no Rio de Janeiro, na década de 50, a televisão sempre requisitou autores e atores, dramaturgos, jornalistas, diretores de cinema e teatro, técnicos especializados, cenógrafos, de todos os campos de produção artística. Além da motivação financeira - a TV seduzia com altos salários.A motivação de atores e autores de outras áreas, principalmente do teatro que trocaram o palco pelas câmeras, era a possibilidade de falar para vinte, trinta milhões de pessoas numa só noite. “Em 68, o teatro estava muito cercado, eu tinha duas opções; ou tinha que ser funcionário público ou ir para TV. Mas não tinha o que discutir, se você luta por um teatro de massa, como recusar um público de 20 milhões”, dizia Dias Gomes O dramaturgo ainda acrescenta que a TV é boa ou má ,dependendo de quem faz e que limitações também existem no teatro”. Outra vez, Paulo Pontes , oriundo do grupo de Teatro Opinião, também manifestava-se também a favor do poder democrático da televisão : “... É um veículo essencialmente democrático (...) o grande tema é o que interessa à maioria da população “. Oduvaldo Vianna Filho(Vianinha) que mantinha uma fértil produção para a TV Globo, desde 1968, escrevendo e dirigindo teleteatros em parceria com Paulo Pontes, explicou as razões por que fez televisão, em entrevista a Luiz Werneck Vianna: A revista TV Guide (americana, com tiragem de 6 milhões de exemplares) fez uma análise da programação mundial de televisões. Chegou à conclusão de que praticamente em todo o mundo, no chamado horário nobre, predomina a produção americana, as séries para a TV: a mentalidade do policial, de um perseguindo o outro. A revista, porém notava, com indulgente estranheza, que num país da América do Sul a televisão não seguia essas normas mundiais. Era o Brasil. No Brasil, das 6 da tarde até as 10 da noite – uma faixa bem mais extensa do que o “horário nobre” – só existe produção de autor nacional, só produção nacional. The novels, como eles dizem. Será que este simples fato não justifica a participação de um homem de cultura na TV brasileira, ou o preconceito exige mais justificativas? Nada tenho contra o que é exibido na TV. O problema da TV não é o que ela exibe, é o que ela deixa de exibir. (...) No plano da formação cultural, a televisão não é criadora – é extensiva, é democratizadora, difusora de valores vigentes socialmente e também difusora de valores espirituais conquistados pela humanidade ao longo de sua grande aventura espiritual. (...). O site O Click não se
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dos colunistas. Arquivo Pérolas do cinema francês e teatralidade Antunes Filho Fala Sobre Televisão Breve comentário sobre a televisão na Alemanha O que eles dizem sobre telenovelas Pensadores discutem televisão e cultura Refletindo sobre o pós-moderno Votar: na política ou no Big Brother? Transitando entre o erudito e os bens de massa Quando o radiodrama volta à cena Estrangeiros na mídia eletrônica Cultura superios, midcult e masscult Investigando a cultura de massa Autores discutem cultura e mídia Reflexões sobre o telespectador ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television | |||||||