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Ficção, crítica, história e teatro na
TV
Convivendo
com os olimpianos
Há muitos anos a influência dos olimpianos, ou seja, aqueles
semideuses que povoam a mídia, incomodam os estudiosos da cultura
de massa. Eu quero retomar aqui, o pensamento de Edgar Morin, de 1962
que, creio eu, ainda está valendo para os nossos dias. De início,
vamos situar o espaço onde encontramos esses seres olimpianos
– “no encontro do ímpeto para o real e do real para
o imaginário”- diria Morin. São os astros do cinema,
as vedetes das revistas , as modelos, os campeões esportivos,
playboys, artistas de TV , os ricaços, artistas célebres,os
políticos etc. Alguns nascem de papéis encarnados em filmes
, outros, de funções profissionais, de trabalhos heróicos
ou apenas de sua beleza física ou performances eróticas
ou ainda Pertencem a famílias reais .
Jornais, revistas, televisão
transformam os olimpos em vedetes da atualidade . Acontecimentos banais
vividos por personalidades, acabam tendo a dignidade de acontecimentos
históricos .
Não podemos negar que no passado, as estrelas de cinema já
haviam sido promovidas a divindades mas o novo curso as humanizou, multiplicou
as relações humanas com o público, acredita Edgar
Morin. “Elevou ao estrelato, as cortes reais, os playboys e até
certos homens políticos .Desde que as estrelas inacessíveis
e sublimes desceram à terra, desde que as cortes reais se transformaram
em Trianons da cultura de massa, -isto é, desde o progresso propriamente
dito da cultura de massa”. Hoje os olimpianos participam da vida
“real” dos mortais . Algumas “divas” podem até
casar-se com seus guarda-costas com a condição de que
esse casamento “plebeu’seja transfigurado pelo amor.
Os novos olimpianos são
, ao mesmo tempo, ideais inimitáveis e modelos imitáveis
. Olimpianos e alimpianas são sobre-humanos no papel que eles
encarnam na imaginação do público mas humanos na
existência privada que eles levam e que é tão devassada
pela curiosidade alheia. A imprensa age de duas formas: ao mesmo tempo
em que os coloca num altar mitológico, mergulha em detalhes de
suas vidas privadas a fim de extrair delas a substância humana
que gera a identificação com seus “devotos”.
Têm assim natureza humana e sobre-humana . Morin acrescenta :
“um Olimpo de vedetes domina a cultura de massa, mas se comunica
, pela cultura de massa , com a humanidade corrente”. Essa dupla
natureza, a divina e a humana, circulam entre dois pólos –
projeção e identificação. Eles realizam
os sonhos que os mortais não podem realizar e os chamam para
realizar o imaginário. Ao conjugarem a vida cotidiana e a vida
olimpiana, os olimpianos se tornam modelos de cultura no sentido etnográfico
do termo , isto é: modelos de vida.
As estrelas e suas vidas de
lazer, de jogo, de espetáculo de amor, de luxo, e na sua busca
incessante de felicidade simbolizam os tipos ideais de cultura de massa
.
Revistas especializadas em seguir os ritos de uma nova alta sociedade
, mais mitológica do que as antigas altas c\sociedades burguesas
ou aristocráticas, provam com sua tiragens vultuosas que a nova
camada olimpiana são os heróis da informação
vedetizada e da mitologia da felicidade.
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