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Ficção, crítica, história e teatro na TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Na primeira fase da televisão brasileira, isto é, nos anos 50, deparamos com uma produção de TV ainda incipiente em recursos e com o mínimo de conhecimento das potencialidades de sua própria tecnologia? Todo o anedotário sobre as dificuldades e impasses vividos pelos atores, diretores, cameramen, sonplastas etc é bastante conhecido e divulgado pela literatura sobre televisão. Os atropelos, as falhas,o improviso da TV ao vivo exigia daqueles profissionais um jogo de cintura e raciocínio rápidos para contornar qualquer situação. As telepeças produzidas na TV não fugiam à regra. Conviviam com todas as dificuldades comuns às produções televisivas de um período em que ninguém suspetiva sequer como chegar a uma linguagem televisiva ideal mas partia-se para experiências curiosas e até mesmo, diríamos, bastante ousadas se comparadas com a estrutura técnica e comercial das emissoras existentes.A improvisação, contudo, possui uma outra dimensão, a da criatividade , conforme ressaltava a crítica de televisão da época. Tateando em busca de uma imagem de TV inteligível e um discurso que agradasse ao telespectador,aqueles profissionais do início da nossa televisão, preocupavam-se constantemente em orientar a produção (atores, cameramen, cenografia, iluminação etc. ) para que o espetáculo resultasse numa linguagem fílmica menos teatral pois tinham como ponto de referência o cinema. Enquanto os grupos teatrais levavam para a televisão uma forma puramente teatral, seja em relação ao texto, à interpretação do ator, e à duração do espetáculo , os produtores dos teleteatros que eram funcionários da empresa e não autônomos, esforçavam-se na procura de um visual mais exigente, isto é, pensavam os espetáculos em termos televisivos, preocupados em adaptar os textos teatrais de acordo com sos recursos da televisão. A versatilidade brasileira dos primeiros diretores , gente como Cassiano Gabus Mendes, Dionízio Azevedo, Syllas Roberg, Álvaro Moya, Mário Fanuchi e Walter George Durst, considerados mais "modernos" e sofisticados ao submeterem as técnicas teatrais à semiótica da imagem , transformaram a realização de um teleteatro num reduto de experimentação, um verdadeiro laboratório para artistas, escritores, diretores e cenógrafos .Do teatro, extraíam a densidade cultural da dramaturgia, adaptando-a porém ao novo meio, criando uma nova forma de expressão corporal e uso da voz. O cinema funcionava como modelo para o movimento de câmera - enquadramentos , tomadas e corte das cenas. temos que levar em conta ainda, o fato de que Hollywood tornara-se o pradigma maior da cultura de massa, modelo a se imitar na ficcão televisiva, fonte de um sistema de representação que começava a marcar o imaginário do século XX, prática cinematgográfica que permaneceu fiel a aos seus princípios estéticos que não pretendemos agora definir ,e à sua função social até, pelo menos, a década de 60. Zilka Salaberry e Glauce Rocha na telepeça "Ana Christie"
TV Tupi, anos 50. Foto Funarte.
Arquivo
Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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