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Ficção, crítica, história e teatro na TV Teatro Eletrônico
Se prestarmos atenção às condições psicossociais em que se efetuam alguns desses modos de comunicação, poderíamos dizer que o teatro e o cinema apresentam um espetáculo ao público que se dirige voluntariamente às suas salas, com a intenção de assistir a uma representação. Já o espetáculo na televisão pode ser assistido , em sua totalidade ou em apenas algumas de suas partes, dependendo da disposição ou da disponibilidade do telespectador, em sua própria casa. E, se na sala de teatro ou cinema as reações do público se acham submetidas a princípios de psicologia coletiva - efeito comunicativo do riso, o contágio psicológico provocado pelo frisson experimentado pela platéia, etc, a televisão , em sua peculiar "domesticidade", incentiva reações individuais, ainda que convergentes no plano social . Diríamos então, que os meios de difusão coletiva alternam a distância que separa o espectador da ação, que não é a mesma do teatro. Um plano fechado, uma radiofonização dramática, um monólogo interior recitado em voz baixa, podem lançar o público ao centro da ação. Os espetáculos teatrais apresentados pelos meios de difusão coletiva por serem pré-gravados e mecanicamente reproduzidos, deles retira a espontaneidade ( e certo caráter aleatório) de uma apresentação ao vivo. Por sua histórica afinidade com a fotografia e o cinema, a arte teledramatúrgica permite que se obtenha um elevado grau de realismo cênico.A câmera, o microfone, atuam como "extensões tecnológicas" do diretor, à semelhança de seus olhos e seus ouvidos .É a direção que irá determinar o lugar e o modo pelo qual a ação será observada ( e ouvida), conduzindo o público a segui-lo. No teatro, cada espectador poderá dirigir os movimentos de sua "câmera interior", à sua vontade, e , talvez, contrariando até mesmo os enunciados apresentados na encenação, captando da cena, aquilo que mais o interessar. No vídeo, o impacto sensorial de uma cena é produto de um conjunto de interações: direção,movimento e enquadramento da câmera,ação do ator, ritmo ,iluminação etc. O que resulta numa "canalização"do sentido que culmina com a montagem ( edição).As imagens mostradas foram objetos de enquadramentos precisos, com a finalidade de se mostrarem facilmente assimiláveis em conjunto com uma adequada trilha sonora, pois é o som ( incluindo-se o som musical), por sua qualidade e sua proximidade, um dos elementos que mais consistência dá aos "efeitos de realidade". As palavras proferidas, quando de cenas dialogadas, ganham decisivo relevo para autenticidade estética da teledramaturgia. É necessário lembrar que, mesmo nos anos de improviso de uma TV incipiente, os teleteatros faziam sucesso pelos textos quase declamados de grandes autores, já que os outros elementos da cena, como cenários, figurinos, iluminação eram parcos e insuficientes para a amplitude desses espetáculos de teleteatro. Uma telenovela se assemelha , sob alguns aspectos , como nos lembra Aluísio Ramos Trinta a uma interminável conversa, que cessa e recomeça a cada capítulo, espicaçando a sensibilidade do telespectador o que nos remete à um "rádio com imagens". Cenas externas - conquista relativamente recente da teledramaturgia - são gravadas com o auxílio de câmeras portáteis e "gruas" que, a exemplo do cinema, dão amplitude e veracidade à cena mostrada. Teatro e televisão apresentam uma distinção básica de linguagem. Sabemos que o teatro é sempre arte viva, uma representação da vida, em qualquer tempo e espaço e ao mesmo tempo, "no aqui e no agora". Cada espetáculo difere do seu "igual", no dia seguinte.Sua linguagem abrange vários níveis, entrelaçando corpo-emoção-mente para atingir o Pathos,sem relegar ou relevar o Ethos e o Logos. Enquanto a televisão transmite um produto acabado, no imediato da recepção incapaz de interferir no produto que está recebendo, o teatro, ao contrário, tem sua raiz na energia do homem, transmitida e recebida de pessoa a pessoa , numa interação coletiva em que público e atores vão amoldando e manipulando um resultado. Na televisão as cenas são resultantes de uma edição .A moldura definida pela "pequena tela"ou vídeo da televisão parece tudo transformar em "cena viva"em espetáculo multissensorial, ao fazer "signo de ou "signi-ficar tudo que exibe. Trata-se de um jogo de pontuação dramática , marcado por rupturas, interrupções abruptas, cenas rápidas e incisivas.A narrativa teleficcional põe em evidência atores cuja presença física imediata requer planos e enquadramentos que valorizem seus rostos e suas expressões.A luz, muitas vezes, fria e definidora, ilumina a cena, valoriza as atitudes e o seu jogo fisionômico, contribuindo para desvelar, aos olhos do telespectador, as reações psicológicas e os sentimentos dos personagens interpretados. Nesse aspecto, o desempenho dramático herdado do teatro, une-se ao rigor impiedoso do olho eletrônico que aprisiona e domestica o telespectador. E, por mais realístiscamente que a televisão possa se expressar, o mundo humano e social que apresenta, é assimilável à fantasia , a um devaneio, tanto mais satisfatório, quanto mais imune a um controle da consciência. O receptor deixa-se levar pelo simples prazer de ver as imagens brilhantes da sua tela . Imagens de TV são eletrônicas por definição e pelo modo e a freqüência com que chegam aos telespectadores , capturam a visão, despertam a atenção e excitam a curiosidade. Elementarmente, a televisão pode ser conceituada como uma conversão de sinais visuais em sinais eletromagnéticos, por meio de ondas hertzianas.As imagens chegam a mobilizar o telespectador porque atuam sobre sua capacidade de perceber, pensar e imaginar .Enquanto imagens para "serem vistas", devem proporcionar, como já dissemos, algum tipo de prazer. Objeto técnico que é, uma câmera obedece a determinadas concepções de espaço: sua operação ( lentes, enquadramento, foco e movimentos, ) reconstituíra do real ou do ficcional, sem dúvida impondo um recorte, criando um "mundo imaginário" que é o da narrativa : imagem-ação , que ativa o imaginário do público. A TV implica emissão, transmissão à
distância e recepção de sinais, por meio dos quais
são mostradas imagens em movimento associadas ao som.As imagens
da TV são limitas pelas dimensões reduzidas do vídeo,
por isso, não têm o prestígio concedido à
imagem cinematográfica. Dadas as limitações espaciais
da tela, possamos explicar a importância do close em sua condição
de plano essencial de vídeo. É esse "plano fechado"que
dá realce à fisionomia humana. Na televisão , ao
contrário do universo fílmico, onde o homem é ,
não raro, mostrado como um componente da paisagem, a amplidão
do mundo físico se estampa nos rostos. Poderíamos então,
afirmar que a TV pode ser considerada como a arte mímica porque
os gestos humanos desenham e colorem o espaço do vídeo. Arquivo Refletindo sobre o pós-moderno Votar: na política ou no Big Brother? Transitando entre o erudito e os bens de massa Quando o radiodrama volta à cena Estrangeiros na mídia eletrônica Cultura superios, midcult e masscult Investigando a cultura de massa Autores discutem cultura e mídia Reflexões sobre o telespectador ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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