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Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Globo aliena e Band debate

 

Eu gostaria ,hoje, de continuar repensando a pós-modernidade como no texto anterior mas, parei para dar uma pausa porque algo me incomodou sobremaneira no último domingo de eleições brasileiras.

O fato da TV Globo NUNCA deixar de exibir seus "propalados"programas diários, quer chova quer faça sol, é uma verdade já sabida por todos nós mas o que00 não se admite é que a emissora fique indiferente à uma eleição histórica como foi a do dia 6 de outubro de 2002. Mais de 115 milhões de brasileiros estavam credenciados para votar.Tiveram que escolher os melhores entre muitos candidatos à Câmara e ao Senado. Estavam concorrendo 19 mil políticos candidatos de 30 partidos. É pouco? Um momento histórico como esse exigia uma cobertura jornalística factual e que pudesse acompanhar passo a passo o movimento de eleitores que saíram de casa para votar, desde as 8 hs da manhã , até a madrugada.

Mas, ao contrário, quem chegou em casa à tarde, esperando ver na sua televisão algo que explicasse esse grande fenômeno democrático que só poderia estar acontecendo num país grandioso como esse nosso Brasil, teve que se contentar em assistir, pela TV Globo, um monocórdio Faustão entrevistando Alcione sobre a vida e sucessos da cantora "marrom".Nada contra ela, mas em dia de eleição NÃO !!!.

Naquele domingo, todos estavam sequiosos de notícia; esperávamos os resultados, queríamos saber como andavam as apurações e gostaríamos de ver os 4 principais candidatos à presidência votarem , assim como os candidatos ao governo do Estado; a situação no Rio de Janeiro ; no Norte, Nordeste ; gente nas filas, urnas que pifaram e curiosidades do tipo. E o que aconteceu ? A Globo amarelou. Fingiu que nada estava acontecendo no país e continuou na sua pobreza de idéias e inovações. Apresentou o cantor Alexandre Pires ....

Do outro lado, a Bandeirantes , num jornalismo ao vivo, comandado por Márcia Peltier, fez a cobertura de Primeiro Mundo. Com flashes a todo momento , a apresentadora mantinha, na emissora, a mesa de "convidados"que revezavam-se de hora em hora, depois de deixarem ali registradas suas opiniões sobre a sucessão presidencial e o destino do país. A incansável jornalista, não se inibiu apesar de ser surpreendida com muitas falhas técnicas, principalmente de áudio e até com "quase brigas"entre os seus convidados. E a cada momento , tínhamos gente nova no estúdio. Passaram por lá, Fernando Mitre ( diretor de Jornalismo da Bandeirantes) Michel Temer( Pres. PMDB-SP_, Guido Mantega (PT), Carlos Caruso ( cartunista), Gaudêncio Torquato (cientista político), Paulo Fábio ( comentarista político), Fábio Wanderlei Reis ( cientista político), Olívio Dutra ( Gov. PT RG), Patrus Ananias ( Dep.Federal PT) etc e muita gente que não me lembro mais . Em Minas, o jornalista Luis Carlos Bernardes, dividiu com Márcia, a liderança nos debates locais.

A "mesa"mineira não variava o cardápio - eleições 2002 mas, variava os convidados. Por volta das 23hs e 40min, Márcia despediu-se da "cobertura"ao vivo dando os últimos resultados das apurações , o que não era novidade pois resultados era o que se via a todo momento na Bandeirantes. Record e Rede Minas também seguiram a trilha do jornalismo mas, o SBT, a exemplo da Globo, jogou no ar sua programação "normal", sem alterações: Gugu discutindo temas do tipo "Luminha é surpreendido por uma loucura de amor da esposa". As eleições brasileiras passaram ao largo.

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