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Ficção, crítica, história e teatro na TV Trocando o palco pela câmera
Mas não tinha o que discutir , se você luta por um teatro de massa, como recusar um público de 20 milhões", dizia Dias Gomes O dramaturgo ainda acrescenta que a TV é boa ou má ,dependendo de quem faz e que limitações também existem no teatro". Falecido em 1977, o dramaturgo Paulo Pontes , oriundo do grupo de teatro opinião, também manifestava-se a favor do poder democrático da televisão : "... é um veículo essencialmente democrático(...) o grande tema é o que interessa à maioria da população ". Oduvaldo Vianna Filho(Vianinha) que mantinha uma fértil produção para a TV Globo, desde 1968, escrevendo e dirigindo teleteatros em parceria com Paulo Pontes, explicou as razões por que fez televisão, em entrevista a Luiz Werneck Vianna: A revista TV Guide (americana, com tiragem de 6 milhões de exemplares) fez uma análise da programação mundial de televisões. Chegou à conclusão de que praticamente em todo o mundo, no chamado horário nobre, predomina a produção americana, as séries para a TV: a mentalidade do policial, de um perseguindo o outro. A revista porém notava, com indulgente estranheza, que num país da América do Sul a televisão não seguia essas normas mundiais. Era o Brasil. No Brasil, das 6 da tarde até as 10 da noite - uma faixa bem mais extensa do que o "horário nobre" - só existe produção de autor nacional, só produção nacional . The novels, como eles dizem. Será que este simples fato não justifica a participação de um homem de cultura na TV brasileira, ou o preconceito exige mais justificativas? Nada tenho contra o que é exibido na TV. O problema da TV não é o que ela exibe, é o que ela deixa de exibir. (...) No plano da formação cultural, a televisão não é criadora - é extensiva, é democratizadora, difusora de valores vigentes socialmente e também difusora de valores espirituais conquistados pela humanidade ao longo de sua grande aventura espiritual. (...) Nos anos 70, a televisão iria consolidar sua relação com dramaturgos , atores e diretores de teatro , não só por apresentar-se como um veículo democrático que contorna as barreiras de classe e de linguagem, mas também por abrir espaço para os produtores de cultura , entre eles, aqueles que buscavam desesperadamente fugir do ostracismo a que propostas intelectualizadas de esquerda dos anos 60 os haviam relegado. No Brasil dessa época,falar
tornara-se uma coisa perigosa. Enquanto os Esquadrões da Morte
proliferavam nas grandes cidades, transformando a violência em
matéria do dia-a-dia, nas masmorras político-militares,
a tortura era rotina.Palavra e ação, matérias,primas
da criação dramática, eram práticas temerárias
sob jugo do Estado por isso o teatro agonizava . Foi um ano de tortura, de fascismo da mídia, do Médici, da Copa do Mundo. A porrada foi mais forte do que a de 64.Porque caía direto em cima da gente.Tudo era desconcertante.Foi o ano das drogas ,também.Tudo estava desconjuntado.Ficamos quase um ano sem trabalhar. Em dezembro nos trancamos dentro do Teatro Oficina pra ver o que tinha acontecido conosco,com o nosso corpo.E começamos a descobrir uma esquizofrenia muito grande na gente .Havia uma forma externa, uma máscara, uma couraça .Mas uma energia muito grande continuava viva ,apesar de já ter começado o massacre cultural... O período onde a censura imperava absoluta, mutilando ou proibindo textos, interditando espetáculos prontos, lançando companhias a prejuízos irreparáveis, sua ação sobre o teatro, por mais ignominiosa que fosse, ainda assim não foi o mal maior. Como podemos observar no depoimento de Zé Celso, a verdadeira desgraça eram os efeitos no corpo teatral da situação sócio-política nefasta.Faziam o homem trancar-se dentro de si mesmo, sem fé e à deriva , com medo, desconfiança, ressentimentos.
A televisão, começara
, definitivamente, a invadir o espaço do teatro aparecendo como
uma nova opção de trabalho para os profissionais do teatro
ou até mesmo a única possibilidade de sobrevivência.
Arquivo Votar: na política ou no Big Brother? Transitando entre o erudito e os bens de massa Quando o radiodrama volta à cena Estrangeiros na mídia eletrônica Cultura superios, midcult e masscult Investigando a cultura de massa Autores discutem cultura e mídia Reflexões sobre o telespectador ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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