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Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Votar: na política ou no Big Brother?

 

Nos anos 70, a massa moderna era industrial, proletária, com idéias e padrões mais rígidos.Procurava das um sentido à História e lutava em bloco por padrões de vida, estava atenada com o social e político. Havia uma crença no futuro. Acreditava-se no poder dos sindicatos e partidos e fazia-se apelos nacionais. As grandes organizações levaram às duas Grandes Guerras Mundiais. Hoje porém a massa pós-moderna é consumista, classe média, flexível nas idéias e nos costumes .Acha-se seduzida e atomizada pela televisão, pelos mass media e quer o espetáculo além de bens e serviços eficientes mas desdenha o poder.

A massa participa de pequenas causas inseridas no cotidiano mas seu envolvimento não é profundo. Poderíamos citar, as associações de bairro,defesa do consumidor,minorias raciais, sexuais etc. A essa mudança, os sociólogos estão chamando de "diserção do social'.É como tornar deserta uma região. Ë a desmobilização, a despolitização. O individualismo tomou conta ou o "eu não tenho nada com isso', importa.
A deserção é uma sensação nova da massa.Ela surge inconscientemente e está abalando a sociedade no momento em que começa a afrouxar os laços sociais. Outro ponto importante: só o presente conta pois perdeu o senso de continuidade histórica. Pois ao invés de crer e atuar na História, os indivíduos estão concentrados em si mesmos, numa hiperprivatização de suas vidas. Eles investem é em saúde, lazer, informação , aprimoramento pessoal.

E agora chegam as eleições onde essa massa deverá votar. Sabemos , portanto, que s eleições vão depender mais da performance dos candidatos nos mass media do que suas idéias. E ninguém acredita mais que os políticos representem o povo ou possuam altos ideais. O perigo é que a descrença no político faz com que a massa dê as costas para as grandes causas . Ela cobra do sistema eficiência na administração,nos serviços como transporte, educação saúde etc mas mostra-se essencialmente pragmática e não ideológica.

O homem contemporâneo interessa-se apenas pelo transpolítico ; liberação sexual, feminismo, educação permissiva, enfim, questões vividas no dia-a-dia.Evita a militância fogosa e disciplinada. Ele é frio, prefere movimentos com fins práticos, nos quais a participação assemelha-se à uma ligação para votar no Big Brother. Nada de lutas prolongadas ou patrulhamento ideológico.

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