Colunas
Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Antunes Filho na televisão

 

Os canais por assinatura têm dado prioridade a programas documentários que registram a memória social, cultural ou artística brasileira. A TV Cultura, o Canal Brasil (com "Retratos Brasileiros" enfocando personalidades que de alguma forma se destacaram ou na música, ou no teatro ou no cinema) e agora a TVS (SESC /Senac) está nos proporcionando um belíssimo documentário sobre a trajetória do encenador teatral Antunes Filho. Para se ter uma idéia do conteúdo dos programas com duração de uma hora cada , segue um resumo das partes do documentário apresentado pela TV Senac.

1) AS ORIGENS DE UM ARTISTA Nascido no Bexiga, São Paulo, em 1929, Antunes Filho era menino irrequieto, briguento, sempre metido em confusões. Ele mesmo narra esse período, até o momento em que foi trabalhar na Prefeitura e conheceu Osmar Rodrigues Cruz, que dirigia um grupo amador, onde Antunes teve sua primeira experiência no palco, como ator. O depoimento de Antunes Filho, permeado de imagens da época e de atores em exercício no CPT, com intervenções de Osmar Rodrigues Cruz, Eva Wilma, Raul Cortez e Laura Cardoso, reconstitui sua trajetória nos primeiros tempos. As influências do cinema, o ingresso na recém-inaugurada televisão, tornando-se um dois primeiros diretores de teleteatros no país, o estágio como assistente de direção no TBC, trabalhando com Ziembinski e os famosos encenadores italianos. O início da carreira profissional e os primeiros sucessos no teatro, registrados ainda nos anos 50, com o Pequeno Teatro de Comédia.

2) 60, A DÉCADA DAS TRANSGRESSÕES Em 1960, voltando da sua primeira viagem à Europa, onde conheceu o teatro de Bertolt Brecht, com As Feiticeiras de Salém Antunes começa a contestar o realismo que imperava em nosso teatro. Cria uma série de espetáculos, pesquisando novas linguagens, culminando o seu mergulho nas essencialidades do teatro com Vereda da Salvação, em 1964, e A Falecida, ano seguinte. Apesar da situação inóspita estabelecida pela ditadura militar, Antunes desenvolve pesquisas baseadas na arte do ator, encerrando o período com extraordinária montagem de Peer Gynt, onde discute a alienação. As atividades nos anos 60 são narradas por Antunes, com imagens da época e intervenções dos atores Raul Cortez, Eva Wilma, Laura Cardoso e dos críticos Alberto Guzik e Sebastião Milaré

.3) DESAFIOS DE UM TEMPO DURO Sentindo-se vítima de patrulhas ideológicas, Antunes realiza espetáculos comerciais, deixando de lado suas pesquisas estéticas no teatro. Porém, as desenvolve no cinema e na televisão. Realiza um filme vigoroso, abordando o preconceito racial e, na TV Cultura, trabalha sobre obras de autores brasileiros, constituindo brilhante linguagem de vídeo. Em 1976, percebendo os novos ventos da situação política, que indicam abertura democrática, inicia um processo que o tornará nome importante no teatro internacional, elaborando a versão cênica de Macunaíma. Entre imagens fotográficas, documentários e cenas de obras realizadas, Antunes fala dos desafios desse período com intervenções dos atores Raul Cortez, Eva Wilma, Cacá Carvalho, Walter Portela e do crítico Sebastião Milaré.

4) 4)O MÉTODO: O método para o ator desenvolvido no CPT - Centro de Pesquisa Teatral é apresentado por Antunes Filho e seus atores. Exercícios como "Caminhada", "Loucura", "Funâmbulo","Blues", são demonstrados pelos atores e Antunes explica as conclusões de suas pesquisas, no sentido de que corpo e voz constituem uma unidade. Como trabalhar essa "unidade" é o fundamento dos exercícios. Cenas de Prêt-à-Porter e da Medeia ilustram resultados concretos do sistema, que não se reduz aos exercícios, mas envolve toda a ideologia do Centro de Pesquisa Teatral. O Método é descrito pelos atores Juliana Galdino e Emerson Danesi. Intervenções de Giulia Gam, Luis Melo, Laura Cardoso, Raul Cortez e Marlene Fortuna.

5) POÉTICA DO MAL A montagem de Paraíso, Zona Norte, em 1989, revela a complexidade do sistema criativo implementado no CPT - Centro de Pesquisa teatral, envolvendo não apenas o ator, mas também cenógrafos, iluminadores e sonoplastas. A abordagem filosófica desse espetáculo e dos seguintes (Nova Velha Estória, Trono de Sangue, Vereda da Salvação, Gilgamesh, Drácula de Outros Vampiros, Fragmentos Troianos) é exposta por Antunes Filho, abordando as reflexões sociais, éticas e metafísicas que o motivaram à criação. Os meios interpretativos desenvolvidos são comentados pelos atores Luis Melo, Rita Martins, Marlene Fortuna, Laura Cardoso, pelo cenógrafo J. C. Serroni, pelo design sonoro Raul Teixeira, com depoimento da pesquisadora Campbell Britton e comentários do Diretor Regional do SESC-SP, Danilo dos Santos Miranda.

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