Colunas
Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

A imagem da Mulher na mídia

 

A americana G. Tuchmann, realizou em Nova York, em 1988, uma das mais amplas pesquisas junto à mídia para fundamentar o seu argumento de que os meios de comunicação de massa "aniquilam simbolicamente" as mulheres porque eles refletem os valores sociais dominantes na sociedade .Isso diz respeito não à sociedade como ela realmente é , mas a sua "representação simbólica", ou seja, como a sociedade gostaria de se ver.

Segundo seus estudos, apesar de as mulheres norte americanas representarem 51% da população e mais de 40% da força de trabalho, proporcionalmente, poucas mulheres são retratadas "desse modo. Nos meios de comunicação , as mulheres aparecem como adornos infantis que precisam ser protegidos ou despedidos do emprego para voltar ao abrigo do lar.Em resumo, estão sujeitas à aniquilação simbólica, porque os meios aniquilam a realidade ou seja, desconsideram o trabalho feminino e banalizam a mulher por meio de seu desterro ao círculo familiar.

Ao analisar a televisão e a imprensa norte-americanas entre as décadas de 50 e 70, Tuchmann observa que na televisão, as mulheres são notadamente sub representadas, pois são retratadas como ineficazes ou menos competentes que os homens .Enquanto os homens são doutores, as mulheres são enfermeiras . Quando eles são advogados, elas são secretárias, ou enquanto eles trabalham em corporações, elas tomam conta de boutiques.

Quando as mulheres representadas na televisão estão envolvidas em alguma violência, são, ao contrário dos homens mais vítimas que agressoras. Igualmente importante é o envolvimento das mulheres com a violência televisiva que revela a aprovação às mulheres casadas e condenação às mulheres sozinhas e trabalhadoras.

Os homens representados são geralmente dominantes, ativos, agressivos e autoritários, desempenhando papéis importantes e variados que quase sempre exigem profissionalismo , eficiência, racionalidade e força. Ao contrário, as mulheres são geralmente subordinadas, passivas, submissas e marginais , desempenhando um número limitado de tarefas secundárias e desinteressantes, confinadas em sua sexualidade , em suas emoções em sua domesticidade. Com isso podemos verificar que os meios de comunicação de massa não representam de forma apropriada as mulheres , suas vidas e seus interesses . A mídia da cultura popular não mostra a vida real das mulheres . O que vemos são o preconceito, a distorção e a aniquilação feminina pelos meios de comunicação.

A aniquilação simbólica das mulheres é confirmada pela propaganda . Os anúncios publicitários condenam a mulher ao papel de cona de casa, mãe e objeto sexual . A análise dos anúncios publicitários sugere que o feminino é geralmente retratado de acordo com os tradicionais estereótipos culturais : mulheres muito femininas, objetos sexuais , donas de casa, mães e os homens, por sua vez, mantêm-se em situação de autoridade e dominação sobre as mulheres. Em outras palavras, os anúncios publicitários refletem pois, ovs valores dominantes - as mulheres não são importantes e mesmo no lar, o homem sabe mais como sugere aquela voz masculina em off ao anunciar os produtos femininos.

Em 1990, uma pesquisa britânica realizada para Broadcasting Standars Council, revelou que existem duas vezes mais homens do que mulheres nos anúncios publicitários; 89% dos anúncios tinham narração com voz masculina, mesmo quando a propaganda retratava proeminentemente as mulheres: as mulheres retratadas nos anúncios publicitários eram sempre mais jovens e mais atraentes do que os homens .Uma entre três apresentava aparência de modelo .50% das mulheres possuíam de 21 a 30 anos em comparação a 30 % dos homens . Os homens eram representados em empregos assalariados duas vezes mais que as mulheres e o trabalho era descrito como crucial para a vida deles, ao passo que para as mulheres os "relacionamentos"eram mais importantes .Apenas 7% da mostra exibia mulheres sozinhas fazendo o serviço doméstico . mas representava duas vezes mais do que os anúncios com homens lavando e limpando.Quando o homem aparecia cozinhando tratava-se de uma ocasião muito especial que exigia habilidades e não era retratado como um trabalho doméstico . Também as mulheres casadas eram retratadas duas vezes mais que os homens casados.

Hoje, atentos às objeções dos movimentos feministas, os anunciantes passaram a usar novas imagens das mulheres em seus anúncios mas, agora representando um estereótipo alternativo da mulher: fria, profissional e liberada. Muitas agências erram o alvo muitas vezes equiparando a "liberação"a uma espécie de sexualidade agressiva e a um grande despudor sexual o que vai de encontro á maioria das mulheres de nossa época. .


Arquivo

Ricos e pobres na telenovela

Como conceituar a telenovela

Programação cultural na Tv

Cineastas fazendo televisão

Estrangeiros na mídia eletrônica

Cultura superios, midcult e masscult

Desenjaulados

Lei de incentivo à cultura

Do romance ao filme

Benjamin reflete sobre a arte

Investigando a cultura de massa

Brava Gente

Lembrando Walter Avancini

Audiência Ditadora

Autores discutem cultura e mídia

A fórmula da telenovela

Novela - Comédia

Perfil da telenovela

Reflexões sobre o telespectador

Televisão é meio popularesco?

Os anos 70 e a telenovela

Elite gosta de baixaria?

... e a televisão virou novela - (capítulo 2)

... e a televisão virou novela - (capítulo1)

No tempo das "novelinhas" de 20 minutos

Auto da compadecida

Televisão que gera fortuna

Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV

TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV

As primeiras experiências em linguagem televisiva

Incluo Os Maias na nossa quality television

A vida por um fio

Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro

  Teleplay ou teleteatro