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Ficção, crítica, história e teatro na TV Cultura superior, midcult e masscult
Para identificarmos a cultura superior incluiríamos nesse rótulo, os produtos canonizados pela crítica erudita, como por exemplo, as pinturas do Renascimento, as composições de Beethoven, os romances "difíceis" de Proust e Joyce, a arquitretura de Frank Lloyd Wright e todos os seus congêneres.Também não é complicado identificar os produtos da midcult: são os Mozarts executados em ritmo de discoteca; as pinturas de queimadas na selva que se pode comprar todos os domingos nas praças públicas; os romances de Zé Mauro de Vasconcelos, com sua linguagem artificiosa e cheia de alegorias fáceis, daquelas mesmas que as escolas de samba desfilam todos os anos nos seus sambas: as poesias onde pululam um lirismo de segunda mão e os chavões ; as fachadas das casas que pelo interior a dentro reproduzem, desbastadamente, o estilema ( isto é, o traço central do estilo do Palácio da Alvorada. E são infinitos os exemplos (Ver Teixeira Coelho - O que é Indústria Cultural Ed. Brasiliense. ) E quando tentamos catalogar o que se enquadra na masscult estamos diante de um impasse porque os produtos fornecidos pelos meios de comunicação de massa - rádio, TV e cinema - vêm comparados com a cultura produzida pela literatura ou pelo grande teatro mas deveriam ser relacionados com outros meios de comunicação de massa como a moda, os costumes alimentares, a gestualidade etc. Um produto explorado pela TV é um produto da masscult mas a passagem de um produto cultural de uma categoria inferior para outra superior é apenas uma questão de tempo. É o caso do jazz, que saiu dos bordéis e favelas negras para as platéias brancas dos teatros municipais. Muita gente boa disse que os textos de Oswald de Andrade não passavam de brincadeiras de criança. Seriam eles a masscult da época? Cada vez fica mais difícil distinguirmos os produtos
da midcult ou da masscult. E entre ambas e a cultura superior como a
definição rígida de MacDonald . Uma história
em quadrinhos como a do Minduin tem seu indiscutível valor cultural
do mesmo modo não é possível hoje alguém
não reconhecer que as músicas e letras do Beatles não
são mero refugo estético. Os defensores da masscult defendem
seu caráter democrático por romper as diferenças
entre as classes sociais quando sabemos que seus produtos podem chegar
a um grande número de consumidores enquanto os produtos da cultura
superior são de fruição exclusiva da classe dominante.
Há ainda quem reprove a proposta da midcult que explora propostas
originárias da cultura superior e apresentam-nas de forma que
o público acredite que esteja consumindo obras de grande valor
cultural . A autêntica masscult nesse caso, seria grossa mas sincera.
Concluindo, acredito que a cultura hoje é híbrida e perfaz todas as classificações . Os resistentes da chamada "alta cultura" não podem mais evitar que suas obras sejam expostas á mídia. Do contrário, permanecerão no ostracismo ou morrem de fome. A midcult mais do que nunca, está trazendo os clássicos da literatura para o cinema e televisão e há ainda as autênticas bizarrices da masscult que, surpreendentemente, podem até ser admiradas pelos fruidores da cultura superior . Quem disse que somente os indigentes culturais assistem o Ratinho ! Arquivo Investigando a cultura de massa Autores discutem cultura e mídia Reflexões sobre o telespectador ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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