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Ficção, crítica, história e teatro na TV Do romance ao filme
O conteúdo narrativo de um filme é a sua história.
Diríamos que Rebecca contaria a história de uma mulher
que revive seu passado ; o início de seu casamento e a descoberta
da personalidade da falecida ex-mulher de seu marido e das circunstâncias
da sua morte. A história e a diegese dizem respeito, portanto, à parte da narrativa não especificamente fílmica. No filme, a contrapartida da diegese é, com certeza, tudo o que se refere à expressão, o que é próprio do meio: um conjunto de imagens específicas, de palavras, de ruídos, de música , ou seja, a materialidade do filme. É a narrativa , o texto narrativo que se encarrega da história, que permite que esta história tome forma .Contar uma história com palavras, oralmente ou por escrito já é coloca-la em narrativa. Uma sinopse é uma narrativa, um roteiro também , assim como um simples resumo. Quando digo que Rebecca é a história de uma mulher que revive seu passado..., na realidade já estou operando uma narrativa, que é diferente da autora do livro Daphné du Maurier, da proposta do roteiro do filme, da proposta de um espectador que viu o filme e que está me contando. Quando se articulam a um conteúdo , os componentes expressivos do filme adquirem uma razão de existir. Um travelling por si só não quer dizer nada mas, adquire um sentido se acompanha determinado personagem , adquire outro, se varre uma determinada paisagem. O conteúdo e a expressão formam um todo e sua combinação, sua associação íntima são capazes de gerar a significação .Para se trabalhar o sentido de um filme é preciso convocar de imediato e em sincronia, a história e a narrativa. A narração ( ato narrativo) de um filme diz respeito as relações que existem entre o enunciado ( o próprio filme ) e a enunciação ( o romance no qual ele se baseou) . A fonte da enunciação fílmica é o livro de D. du Mourrier . Uma das principais diferenças entre romance e filme é que enquanto o romance é verbal por inteiro, a matéria do filme é amplamente extra lingüística . Recusamos a noção de enunciação referindo-se ao filme, pois esta só pode ser aplicada à palavra e à escrita e não à produção de imagens. Podemos considerar o romance como fonte ou foco da enunciação. É possível afirmar que em cada filme narrativo está a presença de um foco, de uma fonte, uma instância de enunciação , o narrador de primeira ordem . O parentesco de enunciação e narração é evidente. Nos filmes não narrativos a narração está ausente mas não a enunciação .Enunciação é portanto, um termo mais geral do que narração pois se aplica a qualquer tipo de enunciado. Instância narradora - Um filme pode contar com um
ou mais narradores que se encarregam da totalidade ou de uma parte da
narrativa. Em Rebecca, a narradora vê e faz com que vejamos (
focalização visual) Longo travelling para a frente, subjetivo
no prólogo do filme. A trilha sonora é monopolizada pela
voz que narra as lembranças do personagem. O roteiro de um filme estrutura uma narrativa ( uma sequência lógica de eventos , de relações entre personagens, de conflitos, um conjunto de informações a serem distribuídas pelo filme para garantir a compreensão e a verossimilhança) e uma progressão dramática - de acordo com as regras de alternância entre tempos fortes e tempos fracos e as da progressão contínua da tensão até o desenlace, passando pelo "clímax". As imagens preferencialmente, são carregadas de conotações afetivas, fantasísticas, simbólicas . Estruturas Para avaliar a distância que separa os dois textos
e julgar o "respeito"ou a "traição"
do texto fílmico com relação ao texto literário
, é necessário trabalhar sobre as estruturas profundas
e não apenas sobre os acontecimentos superficiais, não
se limitar ao conteúdo , mas levar em conta a expressão,
consubstancialmente ligada ao sentido. Estrutura geral O filme é estruturado em cinco grandes atos precedidos por um prólogo , seguidos por um epílogo . O romance, em compensação , apresenta-se sobre a forma de uma sucessão de 26 capítulos. A autora utiliza a forma romanesca. Já a forma fílmica requer, por sua dimensão "espetacular'uma estrutura dramatúrgica muito mais rigorosa, do que o romance. Os capítulos do romance tampouco correspondem às seqüências do filme. O filme é estruturado, decupado, de maneira diferente e independente do romance Estrutura dramática O desenvolvimento dramático do filme , parecia igualmente
sujeito a uma organização bastante rigorosa - Ato 1 (
euforia, encontro, casamento) Ato 2 ( disforia, inadaptação,
mitificação de Rebecca) Ato 3 até o epílogo
(alternância, disforia/euforia tensão distensão.
No romance não é pensado com esse rigor e constata-se
que os acontecimentos são menos intensos - os dramas menos violentos
e as alegrias menos intensas. Hitchcock e seus roteiristas ( Joan Harrison
e Robert Sherwood) deram ritmo à uma narrativa monocórdia
como a do livro.
Arquivo Investigando a cultura de massa Autores discutem cultura e mídia Reflexões sobre o telespectador ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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