|
Ficção, crítica, história e teatro na TV Investigando a cultura de massa
Junto com a imprensa popular, o rádio e o cinema foram os primeiros meios de comunicação de massa tipicamente modernos e estiveram ligados aos regimes totalitários para o uso de propaganda, transmitindo a ideologia oficial do regime fascista porque permitiam o controle centralizado e alcançavam vasta audiência . Isso gerou receio e angústia dos intelectuais que estudaram o crescimento da sociedade e da cultura de massa estimulando as discussões sobre tais temas. Nestor Canclini nos lembra que a repressão tentou remodelar o espaço público reduzindo a participação social à inserção de cada indivíduo nos benefícios do consumo e à especulação financeira. A mídia se transformou até certo ponto , na grande mediadora e , portanto,em substituta de outras interações coletivas. A cultura urbana é reestruturada ao ceder o protagonismo do espaço público às tecnologias eletrônicas. Como quase tudo na cidade "acontece" porque a mídia o diz e como parece que ocorre como a mídia quer , acentua-se a mediatização social . A forma de "participar"é hoje, relacionar-se com uma "democracia audiovisual', na qual o real é produzido pelas imagens geradas na mídia. As teorias da sociedade de massa versavam sobre as consequências destruidoras dos processos de industrialização e de urbanização responsáveis pela desestabilização de antigas estruturas e valores sociais. Os teóricos da sociedade de massa afirmam que o crescimento das cidades contribuiu para a atomização do homem, ou seja, nessas sociedades as pessoas somente conseguem se relacionar como átomos em um composto físico ou químico. A sociedade de massa, portanto, é constituída de pessoas atomizadas que carecem de relacionamentos significativos ou oralmente coerentes. Os contatos entre elas além de formais e contratuais , não exigem um sentido moral , uma vez que a ética encontra-se em declínio.Enquanto não há uma estrutura moral apropriada e valores consistentes, uma ordem espúria e ineficaz surgirá e as pessoas irão se voltar para uma falsa moral. O que agravaria a crise moral da sociedade. Nesse contexto, a cultura de massa funciona como uma das principais fontes de moral ineficaz. Sem organizações mediadoras os indivíduos tornam-se vulneráveis , manipulados e explorados pelos meios de comunicação e pela cultura de massa. As convicções religiosas e o senso comum dão lugar ao individualismo racional . Strinati ,em seu livro Cultura Popular, entende que a teoria da sociedade de massa procura indicar o potencial da propaganda dos meios de comunicação de massa usados pelas elites para bajular, persuadir , manipular e explorar o povo de modo mais sistemático e difuso. Os que controlam as instituições de poder adulam o gosto da massa para controlá-la. Se as estruturas tradicional e moral e as hierarquias de classe e de status entram em colapso, não há outra instituição para mediar a relação entre indivíduo atomizado e os poderes centralizados da sociedade. .Como alternativa, se uma variante da teoria lamenta o advento da democracia política e cultural, e desaprova a cultura de massa com critérios elitistas de gosto e discernimeNto, então é o poder da massa que é enfatizado, apesar de não ser bem acolhido. A sociedade anterior à cultura de massa - admitem os teóricos - podia ser considerada uma comunidade orgânica onde as pessoas seguem valores que efetivamente regulam sua integração e reconhecem hierarquias e diferenças. Há espaço para a arte - a cultura erudita - e um espaço para a cultura folk, genuinamente popular, refletindo a vida e a experiência do povo. Com a industrialização e a urbanização, a moral definhou e os indivíduos tornaram-se alienados e anômicos. Encontram-se absorvidos por uma crescente massa anônima , manipulada pelos meios de comunicação que, ao mesmo tempo tornam-se únicas fontes de referenciais comunitários e éticos. Os pensadores concluem que em tal universo, a cultura de massa expande-se como éter letal sufocando a cultura folk e ameaçando a integridade da arte. Dominic Strinati sugere que , hoje em dia, ninguém mais pensa em termos de cultura de massa e que agora sabemos apreciar tanto a cultura popular como a cultura erudita . Para Strinati, a cultura popular não é homogênea por isso não precisa ser consumida como um todo .Certas partes podem ser escolhidas separadamente, como resultado de fatores sociais e culturais. O consumo de cultura popular, reitera, sempre foi um problema para a "outra classe", seja ela composta de intelectuais, líderes políticos ou reformistas sociais e morais. Essa "outra classe ", com frequência, apega-se à perspectiva de que a população deve, de maneira ideal, ocupar-se com algo mais instrutivo ou conveniente. Estas são reflexões que poderíamos
fazer a cada momento em que nos encontramos diante de um produto da
cultura de massa. Esse é o objetivo desse texto.
Arquivo Autores discutem cultura e mídia Reflexões sobre o telespectador ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
| |||||||