Colunas
Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Brava Gente

Celeiro de Adaptações

Está claro que o programa Brava Gente está se consolidando como um celeiro de adaptações de contos, novelas, romances e teatro. Só para lembrar alguns episódios temos o conto de Luiz Vilela que virou "Tarde da Noite"; a peça de CoelhoNetto , "O Patinho Torto", que teve o título de "Mistérios do Sexo"; "O Diabo Ri por Último" foi baseado no livro "O Diabo", de Altimar Pimentel e "O Morto do Encantado Morre e Pede Passagem", foi uma adaptação de um original de Oduvaldo Vianna Filho.

. O diretor do programa, Roberto Farias participa , às vezes , como colaborador de roteiro mas, a maioria dos episódios é assinada por gente nova. Essa "brava gente"que começa discretamente a penetrar no terreno dos "já consagrados"novelistas ainda nem foi percebida pelos telespectadores. Não tiveram tempo suficiente para tornarem-se autores öficiais"da maior rede de televisão da América Latina. Por enquanto, são poucos os que circulam com esse título acompanhados de altíssimos salários e bastante prestígio na rede - Gilberto Braga, Aguinaldo Silva, Glória Perez, Manoel Carlos , Benedito Ruy Barbosa, Sílvio Abreu entre outros.

Vamos voltar agora, ao que é do nosso interesse nesse artigo ou seja : a adaptação propriamente dita. Se compararmos os originais com o produto final que assistimos na TV, podemos apontar alguns procedimentos utilizados na transposição do suporte literário, da narrativa da obra de origem, para a obra filmada.

O roteirista de TV tem como principal finalidade ao fazer esse trabalho, recriar a obra tornando-a mais acessível e palatável para uma audiência média. Faz uma "tradução" que ele entende ser a mais comunicativa no contexto de uma linguagem televisiva. Nessa transcodificação da obra literária para a obra fílmica , isto é: do verbo para a imagem, os adaptadores podem utilizar vários recursos .

Os mais comuns são estes:

1) A exclusão sumária de algumas partes da obra de origem; 2) a condensação de situações ou seja, o resumo de acontecimentos da estrutura narrativa; 3) ou também a ampliação , que é o enfoque com uma lente de aumento em determinadas passagens de um romance que ele acredite ser mais importante que outras.Na ampliação, o roteirista pode também utilizar aspectos de outras obras do autor que de alguma forma têm relação com aquela que está sendo adaptada. Tem-se ainda, um procedimento muito usado na TV , 4) a fragmentação - aqui, ele extrai da obra de origem uma fração e a redistribui pela obra criada.

Para se chegarmos a uma análise crítica de que o conto ou o texto teatral receberam uma boa ou má adaptação é importante ler o texto original e compará-lo à criação televisual. A obra recriada pode ou não ser fiel ao seu suporte literário. Corre o risco de ficar inferior ao original mas pode também superá-lo. Mas, o melhor desse "mania"de utilização da literatura pela televisão ou mesmo o cinema é sem dúvida , a sua divulgação em massa e o conseqüente o aumento na vendagem de livros .

No Brasil, muitos autores somente são "descobertos" depois que suas obras se tornam minisséries .E até os próprios autores vivem a apoteose , ao deslumbramento com o sucesso que fazem. Saíram do quase anonimato para a fama. ( Vide o caso do mineiro Roberto Drummond , autor de "Hilda Furacão") A vitrine televisiva sempre mexeu com o ego dos escritores e tem o mesmo efeito que tiveram os folhetins publicados nos radapés dos jornais do século dezenove, responsáveis pelo aumento do número de leitores .

. Sem falsa modéstia, os autores querem o reconhecimento da crítica e do público, é claro ! A obra de determinado autor cresce em importância, no momento em que ele está em evidência na televisão ( Vide "Os Maias"de Eça de Queiroz que recebeu novas e belas edições ). O casamento entre literatura e televisão/cinema é contínuo nas nossas produções ficcionais. E deveras para o bem do público, assim creio eu !

 

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