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Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Audiência Ditadora

Os meios de comunicação devem estar de alerta para um fenômeno que começa a aparecer na programação estabelecida pelos canais de televisão, que pode ser chamado "ditadura da audiência", identificado pela jornalista Marilene Lopes, (Jornal do Brasil 6/7/8).Naquela época , ela responsabilizava a tal "audiência" pela permanência no ar de programas apelativos , baseados na exploração da degradação humana e da sexualidade reduzida à pornografia e outros estímulos grosseiros e violentos .

Em nome daquilo "que o povo quer ver" , ou na busca de pontos na audiência esquece-se que a televisão é um dos principais elementos de formação cultural do país. Para se atingir uma considerável audiência, trabalha-se de forma angustiada, desesperada, como se a guerra pudesse ser ganha ou perdida em minutos. Os medidores estão lá: uma nudez aqui, uma bizarrice ali, e a temperatura sobe assim como os ponteiros dos medidores de audiência.
Programas apelativos , no início da TV no Brasil, não tinham vida longa.

Diversos personagens grotescos na linha do "Homem do sapato branco", já passaram como cometas pelo vídeo e desapareceram. Mas hoje, há uma insistência em mantê-los no ar. Os espetáculos de vulgaridade antes, intoleráveis para todo o público, mas acolhidos por uma parcela menos instruída que precisa consumir algumas doses de excitação primitiva, parece percorrer agora várias camadas sociais e ditar ao seu servil produtor televisivo, o que quer e o que não quer ver, danem-se os outros, danem-se os que lutam por uma televisão de qualidade.

Essa estratégia de distribuição de estímulos emocionais primários a um público menos instruído,não pode nortear a programação da nossa TV ou então, chegamos `a barbárie como temos presenciado em muitos momentos da vida "real". A ganância, a voracidade para o lucro, estão derrubando espíritos, ideologias e degradando a nossa cultura. Os mais radicais respondem com bombas, destruindo os ícones do império cultural do ocidente. "A indústria cultural , a fábrica do lucro..." Radicalismos tais oferecem-nos em troca uma ditadura teocrática , a volta à Idade Média .Não, nada disso nós queremos. A sociedade não pode ficar esperando que o bom senso ilumine diretores de TV que praticam uma estratégia comercial equivocada, enquanto que a violência verbal, a grosseria a degradação humana viram epidemia no cinema e na TV.

A sociedade brasileira já tem maturidade suficiente para saber o que é bom ? Os formadores de opinião, a elite intelectual , ou a parcela mais esclarecida da sociedade não pode fugir à responsabilidade de garantir padrões civilizados à comunicação de massa. A s empresas de mídia eletrônica não podem ser simplesmente taxadas de ruins e esquecidas a um canto. É preciso que cuidemos da nossa televisão não mais a discriminando como produtora de cultura industrial . Intelectuais sérios, artistas conscientes da importância desse veículo para a nossa civilização, entidades de defesa do consumidor ou de classes interessadas deveriam estar reunidas num fórum social pela qualidade da nossa TV. Do contrário, vamos transforma-la numa feira de perigosas banalidades.

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