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Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Autores discutem cultura e mídia

Um artigo publicado no Jornal do Brasil, ( 15/9/01) "TV também e cultura"vem a propósito , acrescentar algumas idéias ao que tento discutir nesse espaço do portal O'click .Trata-se da divulgação do pensamento de três teóricos contemporâneos sobre a relação da cultura com a mídia, notadamente, a televisão - Giovani Sartori, Dominique Wolton e Douglas Kellner. O livro citado de Wolton, "O elogio ao grande público", eu já havia lido e portanto, sinto-me mais à vontade para comenta-lo. Admiro-lhe a ousadia na defesa da televisão geralista ( canais de sinal aberto sejam eles privados ou públicos) pelo seu valor democrático onde uma informação é divulgada ao mesmo tempo , para os segmentos mais diversos do público, superando autoridades discriminatórias. Mais que um problema, a televisão representaria uma conquista democrática. Wolton é contra, o que muita gente defenderia ,ou seja : a criação de um canal cultural onde a arte poderia ser expressa genuinamente, sem as limitações comerciais e de audiência. Para ele, a TV segmentada, fala aos seus iguais, portanto, uma programação com conteúdos mais sérios e elevados, estaria endereçada apenas a um tipo de telespectador. Existiria aí, um impasse democrático.

Assim como o italiano G. Sartori, Wolton acredita que os produtores e não os telespectadores , seriam responsáveis pela qualidade da programação . Segundo nos informa a matéria sobre esses teóricos, Sartori no seu livro "Homo Videns: televisão e pós- pensamento" descreve o material jornalístico exibido na TV, como conformista e acrílico e adverte para a uniformidade da programação e o "nivelamento por baixo". O autor nota ainda que quem tem a gestão do poder televisivo se defende das acusações descarregando a culpa sobre os telespectadores . E a sua contestação ao argumento defensivo de quem controla a televisão é um dos pontos contundentes do livro : "no que diz respeito à televisão, mais do que a outras coisas, é o produtor que produz o consumidor".

Wolton nota que pesquisas de audiência se restringem a mediar reações a programas emitidos aos quais o público está limitado. O baixo nível da programação não seria portanto, inerente ao meio, este sim, foco de análise do livro.

A televisão brasileira é comentada em um abrangente capítulo onde o autor defende a televisão aberta usando como exemplo a nossa produção teledramatúrgica dos anos 70 , quando houve um elo de interesses sociais e culturais com a TV. Os conteúdos de análise e crítica políticos foram decodificados pelo telespectador através das mensagens subliminares das novelas.Ele advertiu, no entanto, para o perigo da interpenetração excessiva entre realidade e ficção.

O trabalho de Wolton e ainda os de Sartori e Kellner , ( que fala da saturação da sociedade por meios de comunicação eletrônica ) a meu ver, marcam um campo de estudo da atualidade preocupado em problematizar as implicações da produção televisiva e midiática contemporâneas . São muitas as questões levantadas por esses autores e para quem interessa-se num aprofundamento da questão , seria oportuno lê-los.

Arquivo

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