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Televisão e cultura

Cristina Brandão

Ficção, crítica, história e teatro na TV

Novela- comédia

Um gênero que tem a cara dos anos 80 é a chamada novela-comédia que se caracteriza pela farsa, a paródia e o apelo constante ao riso .Algumas retiram do universo cinematográfico , várias referências ( a chanchada, por exemplo) .Muito antes, século XIX , o teatro de Martins Pena, ( que escreveu entre outras comédias, "O Juiz de Paz na Roça"e "O Noviço") não pretendia apenas aumentar a crônica bem humorada dos costumes da sociedade brasileira daqueles anos, mas, abusava do escracho, do tom desmedido.

Hoje, estamos de volta com o anúncio de uma nova novela-comédia , As filhas da mãe, de um veterano do gênero: Sílvio Abreu. Na verdade, quem se lembra do idealizador desse tipo de ficção que usa e abusa do riso , colocando em cena protótipos hilários que vivem dando vexame ?

A primeira que apontamos como novela-comédia foi escrita por Bráulio Pedroso. ( o mesmo autor do Beto Rockefeller, que em 1968, já introduzia elementos histriônicos na trama para tornar os personagens menos rígidos e maniqueístas aqueles das novelas da década de 60 ) Bráulio , falecido em 1992, escreveu na mesma linha, outra pioneira do gênero, Feijão Maravilha (1979 - com música de abertura composta por Gonzaguinha).

A novela, reorientou o horário das tramas das sete horas. E , a partir de então, chegou a boa safra: Jogo da Vida ( 1981); Guerra dos sexos (1983) Cambalacho 1986) Sassaricando (1988) ( todas de Sílvio de Abreu ) Transas e Caretas - ( 1984) de Lauro César Muniz A Gata Comeu ,( 1985 -que está sendo reprisada pela TV Globo, às duas da tarde) de Ivani Ribeiro; Vereda tropical (1984) e Bebê a Bordo ( 1988) de Carlos Lombardi; Um sonho a mais (1985) de Daniel Más; Ti-Ti-Ti, (1985) Brega e Chique ( 1986) Que Rei Sou Eu (1990) de Cassiano Gabus Mendes

Na opinião de Fernando de Barros Silva,( Revista Bravo n.46, julho de 2001),esse "genro de souflê bem sucedido" se desgastou com os anos e vive hoje "dias agudos de indigência", e estamos "chafurdando no puro reino da mercadoria e da empulhação de massas".

Sabemos, todavia, que nem sempre foi assim, basta verificar a lista acima. É bom lembrar que a teledramaturgia brasileira já teve um tempo em que podíamos falar em produção artística. E não, novelas atuais que se guiam exclusivamente pela audiência. Mesmo hoje, quando Sílvio Abreu retoma o leme, o que podemos esperar das Filhas da mãe, nos padrões duvidosos da
nossa TV aberta?

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