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Ficção, crítica, história e teatro na TV Reflexões sobre o telespectador Acompanhe o meu raciocínio. Voltando há algumas décadas atrás, 60 e 70 podemos admitir que houve no país, o que chamaríamos de um desenraízamento da população que saiu do campo e atingiu as grandes cidades. Esse contingente de migrantes foi obrigado a se adaptar às exigências e padrões de comportamento urbanos . As cidades passavam por um crescimento acelerelado com mudanças abruptas no seu ambiente. E aquele homem vindo do interior, desenraizou-se para sobreviver nesse novo mundo. E as perdas foram muitas porque deixou para trás suas raízes, o sentimento de permanência numa região que lhe era segura e familiar, onde mantinha certa segurança afetiva , familiar e moral. Mas agora, a sua antiga visão do mundo e a sua moral tradicional, nesse novo contexto, parecem obsoletos. Nas cidades, ele não encontra mais as relações comunitárias, os vínculos de solidariedade e amizade. Hoje , esse homem é apenas mão de obra anônima, e as instituições que poderiam representá-lo foram esvaziadas. Ele está sendo atingido diariamente por um crescimento cada vez mais acelerado. É nesse momento que surge a televisão, esse eletrodoméstico que funciona a partir de agora, como um elo entre a sua solidão e o mundo, com as coisas que acontecem. Surge aí um telespectador que imagina-se socialmente integrado ao seu país, a uma sociedade que na realidade lhe é hostil, mas não o é através da televisão. Ele imagina participante de decisões políticas, econômicas, culturais etc. Esse sentimento pode até lhe dar um gostinho de segurança, tranqülidade...Sente-se mais seguro pois, afinal de contas, está bem informado!
Por outro lado, tem a ficção ( telenovela, minisséries etc). Aqui ele realiza-se emocionalmente. Está afetivamente ligado àqueles personagens de ficção .O público que não consegue viver com a realidade, o aqui e agora da vida, lança mão da ficção, da fantasia. Satisfaz sua expectativa desejante e reforça o desejo. Os atores inserem nos personagens, comportamentos inspirados nas expectativas sócio-econômicas dos telespectadores . Onde existe a carência, (afetiva/emocional/econômica), está lá a novela para preencheresse vazio. A ficção televisiva, trabalha com as nossas carências. Se você não recebe , diariamente, aquele beijo estonteante pleno de desejo e amor intenso, veja tudo isso na novela. Ali é o espaço da pseudo-satisfação . As fantasias, as alegrias,as resoluções e reconcialiações proporcionadas pela televisão, fazem as pessoas perceberem em quão carentes são suas vidas , quão insatisfeitas e descontentes elas permanecem. Porém, continuam ajustadas àquele alívio temporário que têm ao acompanhar uma história romântica, seja pela televisão e até mesmo no cinema. O consolo e o efeito catártico agem para que o telespectador se resigne à realidade de vida severa e insatisfeita , que é a sua realidade. A novela hoje usa mecanismos mais naturalistas, aproxima-se mais do cotidiano do telespectador, dessa forma, provoca com mais intensidade, a identificação dele com o que acontece no enredo que se desenvolve . A novela estabelece os programas mínimos de aspirações de todas as classes sociais. Está lá a empregada, a patroa, a adolescente rebelde, a mulher descasada, o empresário, o profissional liberal, o artista, o homossexual, o desempregado, etc. A telenovela tem poder mimético : capta do meio social suas pretensões e funciona como informação, entretenimento, ficção. E dá prazer assistir , pelo menos, satisfaz as necessidades supérfluas dos telespectadores. Para os pensadores alemães da Escola de Frankfurt a indústria cultural modela os gostos e as preferências das massas, formando suas consciências ao introduzir o desejo das necessidades supérfluas, portanto , pretende excluir as necessidades concretas e que , realmente proporcional satisfação e felicidade. Mas aqui, eu pergunto: a realização plena e a felicidade estão na mídia? Nunca ! Não cabe a elas proporciona-las. E o telespectador não é um tolo, ele sabe disso. Arquivo ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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