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Ficção, crítica, história e teatro na TV Elite gosta de baixaria ? "O Brasil virou um país cuja elite é ignara. A nossa classe A econômica é a nossa classe Y cultural" escreveu Eugênio Bucci, crítico de televisão e secretário da Editora Abril ( Jornal do Brasil, 28/06/01) No seu artigo, em que faz uma severa crítica aos executivos da nossa televisão; denuncia a estreita visão cultural desses empresários da mídia mas suas amplas mas ignóbeis lógicas de mercado. Bucci responsabiliza-os pela baixaria que invadiu as telas domésticas numa guerra sem fim pela audiência , notadamente entre "Gugu versus Faustão". A competição em vez de diferenciar as emissoras, igualou-as pelo que elas têm de pior. Tudo isso, em nome do dinheiro imediato . E o mais grave é saber que a ampla audiência requerida por todos os canais privilegia o bizarro, o pornográfico. Segundo o crítico, "a baixaria impera não porque seja o único jeito de atrair o grande público, mas por ser o jeito mais barato".E, ainda dizem que ela atrai somente as classes mais pobres, o que é mentira ! "Como a pornografia - diz ele - ela junta curiosos de todo tipo , sempre de passagem. Baixos instintos não têm classe social nem compromisso duradouro", rebate furioso. É tão comum a gente ouvir um amigo ou outro comentando os detalhes de certas cenas picantes que viram na TV. E a gente se pergunta intimamente: "Como é que esse cara viu isso?. Será que não perde um Ratinho? Incrível ! Pelo nível social dele eu pensei que só assistisse TV fechada. Mas que ingenuidade a minha ! " Na ganância pelo lucro imediato, a televisão está perdendo terreno e deixa de representar a identidade do brasileiro, como muito bem definiu o estudioso francês Dominique Wolton, na sua análise sobre a nossa TV ( em Elogio do Grande Público -ed. Ática) Os efeitos colaterais da vulgaridade destroem a credibilidade que tem a televisão brasileira no resto do mundo onde até há algum tempo , era apontada como um poderoso fator de identidade cultural e integração nacional . Famosa por suas telenovelas ( produto de exportação para mais de 120 países) a televisão brasileira, capaz de produzir muito bem cuidadosas minisséries e programas como a série Brava Gente ( TV Globo) continua investindo no apelativo e no sensacionalismo. Por que é mais fácil? Tem retorno de audiência/ publicidade garantidas? E agora, o pior: agrada às elites ? Eugênio Bucci lembrou bem que somente com o surgimento de mecanismos públicos de controle nós, telespectadores, podemos livrar a TV da tirania do mercado imediatista. Essa é uma tarefa do cidadão brasileiro, o consumidor e verdadeiro titular das concessões de radiodifusão.É em nome do cidadão que o poder público concede os canais. Portanto, nós somos os donos da nossa televisão e portanto podemos reivindicar a nossa quality television . O Ministério das Comunicações está recebendo sugestões para um projeto de lei sobre os serviços de radiodifusão . Quem quiser pode opinar pelo site do Ministério (www.mc.gov.br) Mãos à obra! . Arquivo ... e a televisão virou novela - (capítulo 2) ... e a televisão virou novela - (capítulo1) No tempo das "novelinhas" de 20 minutos Fernanda Montenegro há muito tempo na nossa TV TV de vanguarda, projeto arrojado da nossa TV As primeiras experiências em linguagem televisiva Incluo Os Maias na nossa quality television Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
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