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Ficção, crítica, história e teatro na TV Televisão, um projeto cultural que divulgou o teleteatro
Televisão nos anos 50, um projeto cultural que tinha na sua programação o teleteatro
Como defensora da quality television, inicio a partir desse primeiro artigo, uma série de abordagens que enfocam a televisão como veículo de alcance estético e artístico, isto é, que já produziu e ainda pode produzir um repertório de qualidade bem distante da programação epidérmica, superficial e descartável , que objetiva apenas uma grande audiência para vender seus comerciais Poucos sabem que a televisão acumulou nestes últimos cinquenta anos de sua história, um repertório de obras criativas muito maior do que normalmente se supõe. O desenvolvimento industrial brasileiro que se estendeu pelos governos Dutra e Getúlio Vargas iria culminar na euforia dos anos JK. A chegada da televisão, em 18 de setembro de 1950, em São Paulo, faria parte de um projeto de progresso e modernização do país. Com a entrada no ar da primeira emissora de TV da América Latina, a PRF-3 TV Tupi- Canal 3 de São Paulo, acreditava-se que a passagem do Brasil para a modernidade fora definitivamente conquistada. Os conceitos sobre a televisão, que se formaram, na época, eram de um "universo miraculoso" que combinava a "complexidade do cinema com a do rádio e do teatro" criando uma "nova modalidade de arte". Dizia-se que seus estúdios assemelhavam-se aos do cinema, com suas câmeras, refletores, cenários e toda uma aparelhagem mágica, ultra complicada para o leigo.Estas foram opiniões de pseudos conaisseurs expressas com aparente profundidade em publicações diversas. Mas, de fato, a televisão surgia como uma incógnita tanto para os primeiros profissionais que a ela se filiavam quanto para os boquiabertos telespectadores . Assis Chateaubriand,o então proprietário dos Diários e Emissoras Associados, cadeia de estações de rádio, jornais e revistas, personagem central da aventura de inaugurar a TV no Brasil, fazia parte de um grupo de empresários paulistas apontados como capitães da indústria da década de 50. Tinham em comum o fato de estender seus empreendimentos à cultura Já em 1947, Chateaubriand havia aberto seu próprio museu, o Museu de Arte de São Paulo, idealizado por Pietro Bardi. Em 1948, Francisco Matarazzo Sobrinho, inaugurava o Museu de Arte Moderna (MAM) que dirigiria até sua morte com mão de ferro e luva de pelica, apoiado por intelectuais como Sérgio Milliet. Os dois museus funcionariam no mesmo prédio dos Diários Associados, à rua 7 de Abril. No mesmo ano Zampari criara o Teatro Brasileiro de Comédia, o mítico TBC, e em 1949, a não menos mítica Cia. Cinematográfica Vera Cruz. Assim , a televisão passaria também a integrar a mesma miragem de um empresariado que desejava ver o país moderno, dono de suas próprias "máquinas de fazer sonho". Aliando-se a vontade empresarial em dotar a TV de uma aura cultural e artística, nada mais adequado do que oferecer aos telespectadores uma programação em que o formato teleteatro, já testado no exterior, principalmente nos Estados Unidos, onde o live drama era um sucesso, começasse a se destacar como programa ficcional apropriado à nossa televisão. O teleteatro nasce, portanto, com a TV brasileira e iria se tornar durante toda a década de 50 , uma espécie de "cartão de visita"das emissoras. A arte teatral tomada como modelo da cultura burguesa, a princípio afirmaria o domínio cultural de uma elite dominante .Nesse aspécto, a análise de Renato Ortiz é reveladora quando ele observa: Numa sociedade de massa incipiente, a televisão opera,portanto, com duas lógicas, uma cultural, outra de mercado, mas como esta última não pode ainda consagrar a lógica comercial como prevalecente, cabe ao universo na chamada alta cultura desempenhar um papel importante na definição dos critérios de distinção social. ORTIZ, Renato. ( A Moderna Tradição Brasileira. São Paulo: Brasiliense, 1988, p. 76.) O conhecimento que possímos hoje, mostra que a década de 50 foi marcada por uma série de improvisações e de experimentação na área da programação televisiva que tateava na busca de uma estrutura definitiva.. Podemos obervar que , ao lado dos teleteatros que ocupavam o horário nobre nos canais, outros gêneros de programa sucediam-se no vídeo: musical, filme, humorismo, jornalismo e novelas. Por isso, não é de espantar que, em 1956 , no Rio de Janeiro, segundo o Ibope, o telespectador tenha apontado entre os seus gêneros preferidos de programas, o esporte em primeiro lugar, seguido dos teleteatros e musicais. É um fato relevante a favor do gênero teleteatro sua intensa produção: nos seus primeiros treze anos, a televisão produziu uma média anual de 145 telepeças. Por outro lado, havia uma vasta cobertura jornalista sobre o que girava em torno de programas e bastidores televisivos, com grande ênfase nos teleteatros.As revistas Radiolândia e TV Programas chegaram a organizar concursos anuais premiando os "melhores da TV"em todas as áreas. A preferência era medida através dos votos dos leitores. E,naquele tempo, o sucesso dos teleteatros pode ser comparado ao das novelas de hoje. Se atualmente encontramos nas novelas e minisséries , produzidas por nossa TV a linguagem e o padrão de qualidade tão procurados na televisão, não há dúvida de que foi o teleteatro que desbravou o desconhecido universo da linguagem ficcional televisva utilizando elementos do rádio, do teatro, e sobretudo do cinema. Diríamos que o teleteatro foi a grande escola da televisão brasileira visto que a maioria dos profissionais de TV, hoje engajados na produção de novelas ,em diversos canais,nos anos 5O e 6O pertenciam ao cast dos teleteatros..
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