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Quebrando o casulo
Devemos nos sentir infelizes com a felicidade alheia? O nome que se dá a esse sentimento seria inveja? Nem sempre... Esse fim de semana passei por essa situação. Tenho um amigo, cujo sonho era ir embora da cidade que morava – jamais havia morado em qualquer outro lugar – para viver na Europa. Pois bem, sua oportunidade chegou, e ele, sem pensar, catou sua mala e “vazou na braquiara”. É claro que sua história não termina por aí, mas como ainda não nos falamos desde que embarcou, não tenho muita informação. Sei que é difícil nos colocarmos no lugar da mãe, que vê seu bebê indo embora, atravessando o Atlântico, indo para um país onde ela nada poderá fazer para protegê-lo. Dona Fátima estava arrasada, assim como sua mãe, - avó desse meu amigo – tios e tias. Daí vêm a pergunta, como essas pessoas que nos amam tanto, ficaram infelizes com a felicidade de quem estava indo. Todos compartilhavam do conhecimento prévio da vontade dele de viver fora do país. Mas mesmo assim, choraram por que ele estava indo embora, sendo que o coitado, mal via a hora de embarcar, tamanha era sua felicidade. Aquela comoção toda da despedida fez-me recordar do enterro do meu saudoso pai, que jaz há quase 8 meses. Assim como esse meu amigo, claro que em proporções BEM menores, e meu pai, ambos foram para lugares onde não podemos protegê-los, nem vê-los, muito menos tocá-los... A ida para outro estado, seja ele físico ou espiritual, tormenta os que ficam. Porque é tão difícil aceitarmos mudanças bruscas? Quem foi que disse que precisamos de doses homeopáticas, se é quando o bicho pega que tomamos atitudes? Mudanças são necessárias, para que a nossa roda da vida continue girando. A solidão e tristeza que me invadiram com o falecimento do meu pai, transformaram-se em ousadia, audácia, e acionou de vez a tecla FODA-SE. Transformar o medo da solidão, do desconhecido em CULHÃO, não é pra qualquer um. E, essa mudança, trouxe também, conhecimento, amor pelo próximo, meu próprio amor resolveu olhar de novo para mim. Aprender a viver só, não é fácil, mas, é menos complicado do que muita gente pensa.
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