Literatura

Dulce Mary

O encanto de uma terra imaginária: o canto colorido em "Contos de Mirábile"

Escrever sobre a escrita de outros é tão difícil quanto analisar nossa própria produção. Não apenas nosso senso crítico fica infestado de ideias prontas para serem digitadas como nosso apreço e respeito às letras de cada um fica sensibilizado.

Sabemos que a literatura nos move para um mundo novo e a responsabilidade por tal viagem é, sem dúvida, a harmonia entra as palavras que o autor constrói. Entretanto, escrever sobre o livro “Contos de Mirábile” torna-se não só evento de puro prazer, mas também admiração por cada vocábulo escolhido.

As ilustrações de Denise Nascimento compõem o espelho entre os desenhos e texto. As cores vivas nos levam a contemplação demorada em cada página.
O livro é dividido em três contos: Mirábile, terra imaginária, salva pelo menino Quiseré que prova que as palavras possuem sons e podem libertar os homens; Luandy e a mãe dos pássaros é o retrato de uma paixão entre uma garoto e os pássaros; Menina rã quer conhecer o sol, menciona como as forças da natureza atuam nos seres vivos. Evidentemente, há muito ainda para se comentar, mas não seria justo com os leitores, pois apenas a leitura de cada um será o norte para a compreensão.

Atrevo-me a resumir o primeiro conto em forma de um jogral que será musicado por um grupo de alunos, de uma escola particular da cidade.

Mirábile- cidade imaginária
De pessoas alegres e festivas
de palavras coloridas.
           
Elibarim- ameaçava Mirábile
Lá havia pessoas agressivas
Briguentas e arredias.

Quiseré com sua flauta
Fazia a alegra dos dias
Esquecia-se sempre das horas
Que passavam
Essa era sua brincadeira favorita.

A cidade estremeceu
Com o chamado à população
Algo grave acontecera
Era preciso uma solução.

Elibarim anunciara uma invasão
Alternativas foram pensadas:
Exército para o combate ou abandonar a cidade?
As palavras ficaram, então, menos coloridas
Devido esta preocupação.

Mas, Quiseré e sua flauta
Ainda alegravam quem os ouvira
A música e as palavras
Formavam um lindo arco-íris.

O menino na música confiava
Tinha um plano infalível
Derrotar os elibarenses,
Fazendo-os parar
Todos juntos cantariam
Trombetille- uma cantiga popular.

No Monte Calliandra,
Ponto mais alto da cidade,
Quiseré foi com sua flauta
E para sua felicidade
Todos cantaram Trombetille

O inimigo avançara
Para invadir Mirábile
Mas, as palavras coloridas e a melodia
Seguiam pelo ar
Numa dança suave.

Os soldados de Elibarim
Nunca haviam visto
Algo parecido
Por isso,
Não conseguiam marchar
E aqueles que ainda queriam invadir,
Não conseguiam ultrapassar.

O invasor foi invadido pela alegria
E desistiram de conquistar nova cidade
Quiseré havia conseguido
Proteger o seu lar
E a ameaça elibarense
Afastou-se de lá.

A música e as palavras coloridas
Ofereceram perspectivas
Mirabilenses e elibarense tornaram-se amigos
As populações de ambas cidades
Falam agora
Dialetos coloridos.

Édimo de Almeida Pereira nasceu em Juiz de Fora. É bacharel em Direito e mestre em Letras pela Universidade Federal de Juiz de Fora e, atualmente, finalizando o Doutorado em Estudos Literários pela mesma instituição. Já publicou três outros livros infanto-juvenis: Sabugo, o porquinho que descobriu o sabonete (2003), O menino assentado no meio do mundo & outros contos (2003) e Telefone de Latas (2009). É também escultor e ilustrador.