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Comportamento

Meus heróis morreram de overdose...

Por Claudia Nunes

Sábado, vinte e nove de dezembro de dois mil e um, por volta de 20 horas, trabalho e mais trabalho, o telefone toca e nos dão a notícia: morre a cantora Cássia Eller. Apesar das promessas de que dois mil e dois ser um ano melhor, antes do desfecho um choque, um baque dentro do peito, uma dor bem conhecida que tentamos esconder, e em vão fazendo um esforço para que este dia nunca tivesse acontecido ou que estivesse sido adiado.

Queria que a TV estivesse enganada, que eu estivesse louca, ou que fosse notícia de primeiro de abril. No fundo fugindo da dor, pensei de imediato: pô, a mulher viveu bem, fez o que quis, foi legal e coisa e tal; depois a revolta: porra, com tanto político e gente safada porque os bons?

Não importa a causa, todos temos que ir de alguma forma, mas aceitar esta dor incomoda, desce seco, é a negação da espécie humana.

O que está acontecendo, o mundo está ao contrário e ninguém reparou; talvez agora miss Eller veja o segundo sol se pôr e nós chorando em nossa nova casa que abriga agora a trilha imbuída nesta nossa conversão... você , Cássia, não me ligou, eu apenas vi e ouvi e não pude acreditar, afinal se lembra quando a gente, inspirado por essa voz, chegou um dia a acreditar, que tudo era pra sempre sem saber que o pra sempre, sempre acaba.

Olha o dedo de Deus apontando pra mim! É que eu preciso que o Deus venha antes que seja tarde demais. Mas porque Deus? É acho que o cara não tem nada com isso, esta história é de nossa autoria e atuação e necessariamente temos que continuar trilhando, pois a vida vai continuando a arder sem explicação, mas não tem explicação? Não tem explicação, não tem explicação, não tem, não tem...

Todos os dias minha música tema para encorajar o dia tinha sua voz, e também aos sábados que nunca saio são inspirados por sua e minha voz, mas neste dia fiquei desencorajada.
Bem no fundo de mim mesma, gostaria de prestar uma homenagem, de dizer umas palavras super legais, mas o lamento sufoca e a limitação do que não podemos mudar o que aconteceu impedem bruscamente.

Para você Cássia Eller minhas lágrimas e como você mesma um dia escreveu sorrindo naquele bilhetinho: tudo de som! Valeu e até um dia.

Claudia Nunes

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